A introdução do comando alterou a forma como se vê e desfruta a televisão. Na maioria das vezes, se não sempre, a disponibilidade, física e mental, e a posse de um comando constituem o meio mais eficaz para a concretização de uma jornada de televisão, mais ou menos prolongada. E foi graças a esta disponibilidade e à posse de um comando de televisão que, meramente por acaso, com as surpresas que só acaso permite, revi
Space Cowboys, de Clint Eastwood, na TV.
O acaso tem a singular virtude de nos descobrir como melhor somos ou estamos, isto é, bem nuns dias, melhores ou piores noutros, susceptíveis ou indiferentes, mais dados a devaneios ou taciturnos.
Procuro uma definição para ‘acaso’ e descubro esta: «ocasião imprevista que produz um facto». Se retalhar a frase nos termos que a constituem, obtenho: ‘ocasião’, ‘imprevista’, ‘que’, ‘produz’, ‘um’ e ‘facto’. Posso continuar esta espécie de dissecação e obter, para cada um deles, uma listagem de significados, mais extensa ou mais limitada, que por sua vez poderá dar início a novos processos de procura de significados, sempre mais e mais, até me fartar ou alguém me chamar a atenção para o resultado, que desconheço qual seja. Admito que este exercício possa ser visto como uma excentricidade, mas também quero acreditar que ele sirva, genuinamente, objectivos relacionados com a aquisição e ou o aprofundamento de conhecimentos...
Mas regressemos ao pequeno ecrã.
Não sendo a primeira vez que via o filme, constato, surpreendido e talvez por acaso, que
Space Cowboys é uma verdadeira paródia a uma certa forma e tipo de filmes, como se a intenção de Eastwood fosse a de, simplesmente, se divertir à grande, ele e os seus co-protagonistas, todos eles de respeito e já entrados na idade, como se quisessem afirmar, sem complexos, que estão velhos, sim senhor, mas ainda para as curvas, com muito riso e paródia pelo meio, até para protagonizar filmes e contar uma história. E isto, concluo eu, não deve ser por acaso...
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