11 maio 2013

Midsomer Murders

Salientar ou evidenciar o contraste, sem esquecer o humor, é um artifício utilizado para chamar a atenção para algo, real ou ficcionado. E é precisamente à custa da evidência do contraste, sobretudo, que o êxito de uma série como Midsomer Murders se revela: cenários bucólicos e campestres, paisagens e quadros sociais (aparentemente) tranquilos, qualidade de vida, homens e mulheres comuns, com o seu dia-a-dia animado ou enfadonho, pelo lado luminoso, típico do postal ilustrado e das mensagens turísticas, e, por outro lado, um lado «negro» que nos surpreende pela crueza e ferocidade com que é apresentado, se bem que sempre com as características associadas à mente e comportamento humanos, assumindo-se como essa tónica de contraste e estranheza que se julgariam não ilustrativas de quadros idílicos como os que se dão a conhecer no início de cada episódio.


Etiquetas: ,

24 março 2013

Oferta televisiva

O mercado dos políticos comentadores na televisão está em alta. Não tardará muito, o marketing dos operadores de televisão passará a incluir, nas suas propostas de pacote de programas, mais do que o canal 'X' ou 'Y', o comentador 'Fulano' ou 'Beltrano'.

Etiquetas:

17 agosto 2012

Séries

Boas séries, melhores memórias: Columbo e A Balada de Nova Iorque. Nunca cansam!

Etiquetas:

09 janeiro 2012

O acaso

A introdução do comando alterou a forma como se vê e desfruta a televisão. Na maioria das vezes, se não sempre, a disponibilidade, física e mental, e a posse de um comando constituem o meio mais eficaz para a concretização de uma jornada de televisão, mais ou menos prolongada. E foi graças a esta disponibilidade e à posse de um comando de televisão que, meramente por acaso, com as surpresas que só acaso permite, revi Space Cowboys, de Clint Eastwood, na TV.
O acaso tem a singular virtude de nos descobrir como melhor somos ou estamos, isto é, bem nuns dias, melhores ou piores noutros, susceptíveis ou indiferentes, mais dados a devaneios ou taciturnos.
Procuro uma definição para ‘acaso’ e descubro esta: «ocasião imprevista que produz um facto». Se retalhar a frase nos termos que a constituem, obtenho: ‘ocasião’, ‘imprevista’, ‘que’, ‘produz’, ‘um’ e ‘facto’. Posso continuar esta espécie de dissecação e obter, para cada um deles, uma listagem de significados, mais extensa ou mais limitada, que por sua vez poderá dar início a novos processos de procura de significados, sempre mais e mais, até me fartar ou alguém me chamar a atenção para o resultado, que desconheço qual seja. Admito que este exercício possa ser visto como uma excentricidade, mas também quero acreditar que ele sirva, genuinamente, objectivos relacionados com a aquisição e ou o aprofundamento de conhecimentos...
Mas regressemos ao pequeno ecrã.
Não sendo a primeira vez que via o filme, constato, surpreendido e talvez por acaso, que Space Cowboys é uma verdadeira paródia a uma certa forma e tipo de filmes, como se a intenção de Eastwood fosse a de, simplesmente, se divertir à grande, ele e os seus co-protagonistas, todos eles de respeito e já entrados na idade, como se quisessem afirmar, sem complexos, que estão velhos, sim senhor, mas ainda para as curvas, com muito riso e paródia pelo meio, até para protagonizar filmes e contar uma história. E isto, concluo eu, não deve ser por acaso...

Etiquetas: ,

25 agosto 2011

Surreal

«Surreal» é a palavra que me veio à cabeça, à hora do almoço, quando via as reportagens dos acontecimentos na Líbia, em Tripoli, mais concretamente. Estavam os repórteres portugueses a entrar nos telejornais, em directo, primeiro Cândida Pinto, da SIC, e posteriormente Paulo Dentinho, da RTP, quando se começam a ouvir disparos na direcção do hotel de onde estavam a emitir - do terraço, parecia-me - e compreensivelmente procuram uma posição mais resguardada, continuando a fazer a reportagem deitados trás de um muro que lhes fornecia alguma protecção. O desconforto e o receio eram constatáveis nos jornalistas e o ar atarantado dos pivots, em Lisboa, também, não sabendo muito bem que pose ou atitude deviam manter. Para além destes protagonistas, outros como eu, à espera do almoço ou já almoçados, a olhar para o que se via e apreendia no ecrã, resguardados na distância e nos assentos. A tensão era real para todos os envolvidos, mesmo para os dos assentos, que também se sentiam desconfortáveis, fosse pelo perigo que adivinhavam para os repórteres - os tiros e a cadência dos tiros ouviam-se bem e não eram encorajadores... - fosse pelo ar assarapantado dos colegas em Lisboa. Para compor mais o ramalhete, então, durante o directo de Paulo Dentinho, igualmente na posição deitado, continuando a ouvir-se os tiros, eis que passam umas pernas a andar, obviamente sinal de posição erecta, que recebe um comentário elucidativo do jornalista: «Alguém aqui a passar»... Por momentos, parecia uma cena extraída de um filme dos Monty Python... Real, mas surreal...

Etiquetas:

26 junho 2011

Columbo

Pela imprensa, fico a saber da morte de Peter Falk, o «inspector Columbo». Com o seu ar descuidado e quase maltrapilho, vestindo uma gabardina coçada e de charuto rasca nos beiços ou na mão, parecendo pedir desculpa por ser como era e por fazer o que fazia, lembro-me bem desta personagem de série policial - um clássico, estou certo - uma espécie de não-herói, mal enjorcado, distante da imagem habitual dos protagonistas neste género de filme, mas que, talvez por isso, fascinante e responsável pela grande adesão das audiências, iluminados pelas suas desconcertantes performance e inteligência, torcendo e comprazendo-se, no seu íntimo, pelas vitórias do inspector e a derrota dos «vilões», seus vangloriados opostos, reconhecidos e convencidos. Quem, dos espectadores e apreciadores da série, nunca se terá deliciado com o brilhantismo e os resultados alcançados pelo «patinho feio», por oposição aos «cisnes» que se lhe opunham e, sem excepção, o subestimavam?... Até sempre, Columbo!

Etiquetas: ,

27 julho 2009

Casos Arquivados

A minha aprendizagem e o gosto pela televisão estão muito ligados às séries televisivas, maioritariamente inglesas ou americanas. Ao longo dos anos, tenho ficado fascinado por algumas delas, com uma clara preferência pelas policiais. A mais recente é «Casos Arquivados», Cold Cases no original, que vi pela primeira vez no Fox Life, ao cair da tarde, e da qual me tornei quase um devoto.
Como num passe de mágica, em cada episódio se faz uma imbricação entre um passado, mais ou menos próximo e supostamente imóvel, e um presente que o faz «despertar» ou «avivar», espoletando memórias, emoções ou paixões, os ingredientes essenciais que conduzem as grandezas e misérias da espécie humana nas suas manifestações quotidianas, por isso inquietantes, mas simultaneamente tocantes por isso mesmo, ou não estivéssemos nós a falar de
velhos conhecidos como o drama, o amor, o ciúme, o ódio, a raiva, a paixão, a emoção, o crime, o mistério, a frustração, a revolta, o reconhecimento, a dádiva, a violência, a satisfação, a inveja, o contentamento, o desencanto, a honra, a vergonha, o horror, a vida ou a morte.
E é aqui que o nome da série ganha novos contornos, contrariando o cinzentismo que parece estar associado aos adjectivos «arquivado», na versão portuguesa, e «cold» (frio, sem vida), na versão original, mas antes surpreendendo-nos com a capacidade que oculta no seu seio, latente e à espera. De um qualquer clique ou de um acaso. Daí, se calhar, o seu fascínio.

Etiquetas:

29 outubro 2007

Nostalgia

É espantosa a transformação de Tony Soprano. Olha-se para o homem e apercebemos-nos da iminência do fim - qualquer que ele seja, mas do fim. A nostalgia perpassa pela série e os seus personagens. É extraordinário como isso se detecta em cada episódio.
E é isso que vai sobressair, a nostalgia, quando a série, e os seus protagonistas, se forem.

Etiquetas:

27 setembro 2007

Bofetada

Deve ser pouco vulgar, mas pelo menos desta vez estou de acordo com um gesto mediático de Santana Lopes. O homem fez bem em «puxar as orelhas» à SIC. Por mais justificações que a SIC agora arranje, acho que mereceram a «bofetada de luva branca» do homem. Que diabo: tratava-se da chegada do Mourinho, não da chegada à Lua! Os tempos são o que são, mas também é bom que a comunicação social não ponha e disponha em nome das audiências e do populismo. Gosto de futebol, tenho respeito pelo currículo do Mourinho e não me iludo sobre as prioridades, informativas e/ou existenciais, de muita da rapaziada cá do burgo. Mas, calma! O que é exagero também chateia e, no caso em questão, quero lá saber a que horas é que o Mourinho chegava ao aeroporto!

Etiquetas:

18 maio 2007

Gabriela

No início da semana, passaram 30 anos sobre a projecção do primeiro episódio da telenovela Gabriela. Tive a felicidade de poder visioná-la na e com os olhos da província, o que lhe deu um sabor muito especial. Embora com impacto e influência em todo o país e em todos os estratos socioeconómicos, foi na província, julgo, nas vilas e aldeias interiores que os efeitos da Gabriela mais se fizeram sentir. E compreende-se porquê. Era aí, nas vilas e aldeias do interior, que as «ousadias» da telenovela mais mossa faziam, estilhaçando o quadro de referências habitual e vigente, sobretudo de cariz afectivo e sexual.
Nessa altura, a Gabriela pontuava os horários e os ciclos do país. À hora aprazada, o país parava. Mais do que parava: entrava e vivia numa outra dimensão. Todos, novos e velhos, vividos ou inocentes, não despegavam os olhos do écran, sorvendo as palavras, as expressões e os tiques das personagens de mais êxito. Onde pontificava, graças a uma sensualidade pouco habitual nas rotinas do «cantinho à beira-mar plantado», a «Grabiela», como carinhosa e entusiasticamente era apelidada a personagem interpretada por Sónia Braga. Para além de outras, é claro. Qualquer que seja a história das vivências deste país no pós-25 de Abril, a telenovela Gabriela e a sua principal personagem já lá têm o seu lugar reservado.

Etiquetas:

19 abril 2007

Voilà

Gosto mesmo do programa Clube dos Jornalistas, que passa na RTP2. Temas e debates interessantes, actuais, sérios e construtivos. Hoje, o tema era a eleição presidencial em França. Aí se dissecou a França, o habitual «farol» civilizacional de muita da nossa intelligentsia, a sua maneira de ser e de estar, os candidatos e as implicações de tudo isto para a União Europeia. Voilà!

Etiquetas:

17 abril 2007

Telenovela

Cada vez mais, o caso à volta das habilitações do primeiro-ministro está transformado numa telenovela. Todos os dias, nuns mais do que noutros, o tema lá vem «à baila». É a lógica da telenovela no seu esplendor, com os seus «ídolos», os seus «protagonistas», os seus «argumentistas».

Etiquetas:

07 dezembro 2006

Sic Comédia

Parece que a SIC Comédia vai ser retirada do pacote normal da TV Cabo. Se isso se concretizar, é uma perda enorme e não se percebe que insondáveis propósitos terão estado na origem desta decisão. De iluminada, a decisão não tem nada. De humorística, talvez tenha qualquer coisa: a do disparate!

Etiquetas:

11 novembro 2006

Missão Impossível

É sempre com prazer que vejo ou revejo um episódio da série Missão Impossível, uma das séries míticas passadas na televisão portuguesa. Nessa altura, estávamos muito longe de uma série como 24, por exemplo, até porque os contextos televisivo, cultural e geopolítico eram diferentes. Ninguém duvide que a série, com os seus efeitos, marcou uma época e um género, e que era fascinante. Muito.
Quem, tendo-a visto e seguido, não se recorda ainda do genérico, da música e do seu ícone reconhecido - a autodestruição da mensagem - e não sente um tremor de emoção, mesmo que pequenino?

Etiquetas:

02 outubro 2006

Os Sopranos

Acabei de ver o último episódio da série Os Sopranos. É uma série notável, de culto. Já entrou na história da televisão. James Gandolfini, que não conhecia até ao aparecimento da série, faz um papelão, ao compor aquela figura de chefe da Máfia, um fabuloso Tony Soprano. Que frequenta sessões num psiquiatra, em virtude da ansiedade e do stress, e toma Prozac. As sessões com a psiquiatra são um verdadeiro achado, contribuindo para a criação de um mito. Como vão longe, os tempos de Vito Corleone...

Etiquetas:

01 outubro 2006

Série

As séries são um dos programas por excelência da televisão. De conteúdos e duração diversos, elas são uma das mais-valias de qualquer estação. Uma boa série provoca fidelização, um valor muito apreciado em tempos de competição acesa, renhida e implacável. Felizmente que em Portugal muitas e boas séries têm passado no écran, como é o caso de Os Homens do Presidente.
Os Homens do Presidente são uma dessas séries de eleição. A passar no AXN, a série retrata o quotidiano da Casa Branca, em particular o quotidiano do staf próximo do presidente norte-americano, os seus homens - e mulheres - de mão, para o bem ou para o mal. Todos os requisitos - trama narrativa, actores, cenários, realização - se conjugam para a transformar num enorme êxito de audiências, confirmado por vários prémios prestigiados e prestigiantes. Quem idealizou e concebeu esta série sabia o que fazia, proporcionando momentos de grande intensidade dramática e humana, alicerçados em interpretações profissionais, sólidas e credíveis, o sal e a pimenta de uma grande série.

Etiquetas:

08 agosto 2006

Bom entendedor...

À procura de notícias televisivas, nos noticiários do almoço, sobre a situação no Líbano, fartei-me das que, em todos os canais generalistas nacionais, falavam de incêndios. Qualquer delas, sem excepção ou alinhamento diferente, dissertavam sobre a mesma matéria: fogos, meios aéreos, circunscrito, condições meteorológicas. Fiz um zapping!
E ainda bem que o fiz, pois fui aterrar na repetição de um dos programas do "Livro Aberto", que passa na RTPN e é da autoria de Francisco José Viegas. O programa fala de e tem os livros como matriz fundamental, servindo de âncora a conversas interessantes e cativantes com o(s) convidado(s) de cada sessão. Uns mais apelativos do que outros, é certo, mas sempre interessantes.
Como o exemplo que apanhei hoje, fruto do zapping e na sequência dos fogos, como expliquei. Estou a falar do convidado Fernando Pinto do Amaral, que foi uma agradável surpresa. Tom coloquial, despretensioso, com uma capacidade de entretecer fios de experiência diversa, pessoal e vivencial. Gostei. Fiquei com vontade, apesar da vista e cérebro duros para o seu principal mister literário - a poesia -, de ler mais qualquer coisa do senhor, para além de textos avulsos na imprensa. Parece-me mais do que merecido.
Gostei também da auto-promoção que o autor faz do seu programa. Num tom irónico - mas também resignado, diria eu - Francisco José Viegas despede-se dos seus telespectadores dizendo mais ou menos isto: "O único programa que passa à mesma hora em que, nos outros canais, estão a dar concursos, telenovelas e, nesta época, algum futebol...".
Quem quer ser bom entendedor?!...

Etiquetas:

16 junho 2006

AXN

O aparecimento dos canais privados, por um lado, e as emissões por cabo e por satélite, por outro, transformaram a nossa forma de ver televisão. Fugidos à programação exclusiva dos canais públicos, os telespectadores reorientaram a sua procura e atenção para os canais privados e temáticos. Se, numa primeira fase, a opção pelos canais privados generalistas constituía a opção mais óbvia, mais recentemente, porém, as escolhas dos canais temáticos começa a ser a escolha privilegiada de uma parte significativa de telespectadores. E isto não me surpreende, dada a natureza da programação passada nos canais generalistas, com excepção do Canal 2, que hipotecaram o horário nobre a um corropio de telenovelas, reality shows e uma generalizada pulsão noticiosa populista e tablóide. Tudo isto cimentado por uma torrente publicitária sem fim, de manhã à noite. Daí, a opção pelos canais temáticos.
Cansados da grelha de programação dos canais generalistas, do arrastar sem fim da publicidade, dos horários surrealistas dos bons programas - que também os há -, de tudo isto e mais alguma coisa, o que é certo é que os temáticos é que aproveitam com este estado de coisas. E ainda bem.
Dos canais temáticos actualmente disponíveis por cabo, versão pacote clássico, tornei-me particularmente entusiasta do AXN, especializado em séries e cinema. Séries excelentes e admiráveis (CSI, Os Homens do Presidente, Serviço de Urgência, por exemplo), horários adaptados à situação do comum dos mortais e períodos de publicidade com uma duração aceitável são, quanto a mim, os principais ingredientes que têm contribuído para o destaque que as pessoas lhe têm tributado. Eu sou uma delas. Oxalá se mantenha nesta linha.

Etiquetas:

31 maio 2006

Mensagens

A visualização de mensagens no rodapé é uma prática comum na maioria dos programas populares de televisão. Para além de fonte de receita, esta prática significa um sinal dos tempos, tecnológicos e/ou existenciais. E passa lá de tudo, como convém e é apreciado num meio como a televisão, para gáudio, voyeurismo ou lamentação dos telespectadores. Algumas delas, de tão íntimas, provocam-me surpresa e perplexidade, levando-me a concluir que algo de muito estranho se passa - ou talvez não... - que leva a que as pessoas, por solidão, paixão ou desespero, estejam dispostas a sujeitarem-se como que a um escrutínio da sua vida: público, mediático e sem contemplações.

Etiquetas: