22 outubro 2011

Habemus ferro?...

Não é todos os dias que se vê a terra nas «bocas do mundo» mediáticas. Aconteceu ontem e por boas razões, julga-se, com um anunciado interesse de uma multinacional na exploração das minas. Não houve «cão nem gato» ligados à comunicação social que não tivesse chamado a notícia à primeira página, com honras de destaque, e compreensível, tais os valores e perspectivas envolvidos. Mas, precisamente pelos valores e pela forma como a notícia saltou cá para fora, é que começaram a acender-se algumas luzes de aviso, umas mais circunscritas à região, outras apontando para mais longe, fiéis à máxima de que «o pobre, quando a esmola é demasiada, desconfia da fartura»...
Fartos de ouvir promessas e de lhe venderem ilusões, é curial que as gentes de lá (e de cá...) olhem para estas propostas com algum (muito) cepticismo, ainda que doloroso, pelo que lá no fundo simbolizam: desencanto, abandono e impotência. Muitas vezes, a prudência (que é uma virtude, dizem) é confundida, erradamente, com cobardia ou com excesso de precaução. Neste caso e noutros que tais, talvez seja antes a manifestação de sabedoria, pelo menos aquela que resulta do sopesar dos factos concretos e não das quimeras desejadas. Será isso?... Não sei... O tempo, mais uma vez, será o juiz.

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04 dezembro 2010

Gestão de afectos

Provavelmente como a maioria, assumo as minhas raízes e idiossincrasias geográfico-culturais com o orgulho suficiente para as considerar como um elemento importante da minha definição e afirmação pessoais, mas também com o distanciamento crítico necessário para entender que elas não representam ou explicam tudo o que sou e o que desejo ser.
Hoje mesmo pude constatar isso no lançamento de um livro de um conterrâneo, cujo mérito e dedicação vejo cada vez mais reconhecidos, rodeado de pessoas com as quais não manterei grandes laços de afecto ou cumplicidade, apesar das notáveis excepções (que as havia). Mas não deixou de ser gratificante, apesar de tudo, essa partilha hoje verificada, mesmo com pessoas com quem as afinidades não poderão ser muitas. E a razão talvez fosse uma, que prevalecia sobre todas as outras: a raiz geográfica e uma ligação emocional comuns.

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18 agosto 2009

Foguetes

«Os foguetes da minha festa são mais bonitos e mais fortes que os da tua» poderia ser um dos motes mais interessantes sobre as romarias. Apesar de já muito atenuada, a componente bairrista nas festas e romarias de verão ainda mantém alguma expressão, sobretudo nos residentes. Expressão disto são, por exemplo, os «campeonatos» dos foguetes, das procissões e dos artistas, sem esquecer o dos donativos. Com a mania de apostar em tudo (que começa a campear), não me admiraria que, a partir de agora, se apostasse no foguetório das festas: o mais demorado, o mais barulhento, o com as melhores «lágrimas» ou «morteiros». E (por que não?...), em que condições meteorológicas. Este ano, por exemplo, quem tivesse apostado na chuva ganhava uma «pipa de massa»... Ainda por cima, foi bonito. O mais bonito...

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Momento zen(e) 5

A 15 de Agosto, na Praça, com a interpretação do Toy, a improvisar (seria rap?... seria blues?...) sobre os transmontanos e o «comprimido azul»...

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03 agosto 2009

Sai água

De novo nas «berças». Passou, entretanto, um ano, mais coisa menos coisa. Uma boa surpresa: o chafariz, na praça, já deita água. Em dia de calor, sempre é uma visão que refresca e, em caso de dúvida, sempre dá para meter a mão e borrifar. Salve!

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09 novembro 2008

Do caneco!

O Grupo Desportivo de Moncorvo (GDM) alegrou as hostes imigrantes e emigrantes moncorvenses, estou certo, ao vencer hoje o Peniche, na casa deste (1-3), em eliminatória da Taça de Portugal. Depois do Farense, o Peniche. Ambos em casa dos adversários. Pequeno feito não será, parece, dadas as poucas tradições do clube na Taça. Seja como for, mérito a quem o deve ter tido: o GDM. Segue-se agora o Setúbal, finalmente lá em cima. Só que a uma quarta-feira, coitados. Podia ser uma pequena «sorte grande» para as finanças do clube mas, se calhar, terão que contar antes com uma terminação um pouco mais gorducha. Trata-se de uma coincidência, é verdade, mas parece que é mais uma daquelas situações em que pertencer ao interior profundo do país é mesmo uma «sorte do caneco»!...

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31 agosto 2008

1400 km

A notícia é quase em primeira mão, graças ao relato, on-line, da Rádio Moncorvo: o Grupo Desportivo de Moncorvo, o GDM, eliminou o Sporting Clube Farense da Taça de Portugal, na casa deste! É verdade: o GDM viajou de uma ponta a outra de Portugal e venceu 2-0 o Farense. 700 km para um lado e 700 km para outro. Em nome da Taça de Portugal, aqui vão 1400 km e as maravilhas da tecnologia!

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27 novembro 2007

Revolta

Espanto - e dos grandes! - ao ler as referências a Moncorvo no livro de Vasco Pulido Valente, Ir Prò Maneta, dedicado à revolta contra os Franceses em 1808. Fiquei curioso e interessado.

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05 novembro 2007

Origens

É uma sensação estranha, o regresso às origens. Os lugares e as pessoas mudaram. Até o tempo é estranho: anda-se de manga curta e foge-se do sol.
É sempre assim, nestas voltas e retornos: quer-se estar e quer-se vir embora. Encantamentos antigos foram-se. O tempo não pára e não perdoa.

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01 setembro 2007

Barragem

A barragem do Baixo-Sabor vai construir-se. Lá em cima, a barragem é vista com olhos míticos e optimistas, provavelmente exagerados. O tempo dirá se as euforias se justificam.

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20 julho 2007

Sentidos

Estava com vontade de escrever mais um post e não sabia sobre quê. Graças à maravilhosa internet, resolvi o meu problema. E o que fiz, então? Algo tão simples, como isto: digitar a palavra «moncorvo» no dicionário online e ver o que é que acontecia. E que aconteceu fez-me sorrir, mais não seja pela rememoração de uma palavra adormecida, «fraca-chicha» (indivíduo ruim, mau e magro). Mas a associação de palavras revelou mais duas, «borralheira» (courela estreita entre duas paredes) e «zangarrão» (bezouro). Sempre me fascinou o conhecimento do significado das palavras. É como se desvelasse algo, até aí escondido. Há muito de lúdico neste procedimento e, também, de espírito de descoberta. Há muito mais, no caminho das e pelas palavras.

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23 agosto 2006

Distâncias

Porque é que é difícil voltar regularmente às origens? Segundo um amigo meu, mais do que a distância física é a distância psicológica. Penso que tem razão. É uma distância emocional, mais do que quilométrica, que tolhe muitos dos nossos movimentos de retorno, mesmo que ocasional. Não sendo ultrapassada esta barreira, nada feito! É muito difícil e, por isso, na maioria das vezes inultrapassável.

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16 agosto 2006

Cybercafé

Finalmente! As novas tecnologias são já parte integrante do quotidiano das berças. Cybercafé é o termo mágico. Rodeado de máquinas de jogos, bilhares e rapaziada nova à volta dos jogos e da música da moda. É o progresso. Ou uma outra forma de progresso. Que são outras vivências, não há dúvida. Definitivamente, o tempo não volta para trás. É um facto.

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16 abril 2006

Páscoa

Procissões, visita pascal, empadas, folares e regresso temporário de emigrantes e imigrantes: são estas as minhas memórias da Páscoa. Memórias que revivo longe da terra, uma vez que não "fui à terra".
O "ir à terra", movimento ritual no nosso país, tem, na Páscoa, um dos seus momentos mais importantes e carregados de significado. Os outros são o Natal e as festas da terra. É grande, a carga simbólica deste regresso à terra. Uma, outra e outra vez, neste movimento procura-se iludir um facto doloroso: tudo mudou, incluindo nós. O retorno a um tempo, memória e vivência idílicas (o nosso tempo psicológico) é impossível: não se repete mais.
Mesmo assim, as pessoas persistem e continuam a "ir à terra". Sinal de que o apelo é forte. É a sua memória e vivência que o exigem: é a expressão da sua identidade!

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04 abril 2006

GDM

O GDM está no comando da sua série, juntamente com outra equipa. Como moncorvense e antigo atleta sinto-me orgulhoso. Trata-se de uma série muito difícil, mais vocacionada para favorecer equipas de outra dimensão e localização geográfica. Maior mérito, por conseguinte. Mas fico, no entanto, apreensivo: a possível subida de divisão, da 3.ª para a 2.ª B, pode revelar-se um presente envenenado, mais causadora de problemas do que de alegrias.
Que se lixe! Pelo menos aqui, o sonho (ainda) comanda a vida. Força GDM!

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11 fevereiro 2006

Amendoeiras

Hoje, lembrei-me das amendoeiras floridas. Talvez, por causa do calor. Ou simples nostalgia, quem sabe?...

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16 janeiro 2006

Pioneiro

Pela primeira vez desde a criação deste blog, uma verdadeira alma imburrente presenteou-nos com várias postagens. Palmas para este pioneiro, de seu nome "Vale-da-Pia"! Estou convencido de que outros virão, na sequência deste. Aguardemos.

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14 janeiro 2006

As cartas ao Director

Nos jornais - quaisquer que eles sejam- gosto de ler a rubrica "Cartas ao Director". Para mim, estes espaços têm uma dignidade e um mérito próprios: representam, na maioria das vezes, não só salutares exercícios de afirmação de cidadania como, também frequentemente, servem para alertar para aspectos da nossa realidade quotidiana não beneficiados pela agenda mediática. Ao conquistarem alguma relevância e valor informativo, consequência - convém não esquecê-lo - do facto de terem conseguido ser publicados, tornam-se, à sua escala, um território a que convém estar atento - aliás, estou convencido que muito do palpitar e do sentir real dos cidadãos sobre o País escolhe este caminho para se manifestar e aparecer à superfície! Para além disso, não raro surpreendo-me com a qualidade e a diversidade de perspectivas, habitualmente apresentadas de acordo com um sólido domínio da utilização da escrita. E isto agrada-me.
E agrada-me também, a mim que sou leitor habitual da rubrica "Cartas ao Director", como acabei de confirmar, reconhecer num conterrâneo meu os méritos e os atributos que acima referi. Chama-se e costuma assinar J. Ricardo e nasceu na minha terra, Torre de Moncorvo. A última carta que dele li, no jornal Público de hoje, aí está para o confirmar.

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12 janeiro 2006

Memória e identidade

"- És um imburrente!", "- Não sejas imburrente!" são expressões que julgava esquecidas na memória da minha infância. Pelos vistos, não o estão. O mesmo poderia dizer da palavra "cibinho", que arranjei para enfeitar o título.
Ambas, "cibinho" e "imburrente", remetiam - julgava eu - para um tempo que teria passado, contado numa sequência de sentido único e irrepetível. Até hoje.
Os imburrentes, novos e velhos, têm aqui um espaço para dar largas a uma nova forma do ser "imburrente": irritante (sem dúvida), atento à realidade (obviamente), crítico e irónico (qb). Nem que seja... só "um cibinho".

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