18 janeiro 2015

Hepta, hepta, hepta

A palavra certa era «heptágono». Não o sabendo, tornaram-se-lhe evidentes duas constatações (assim, de uma penada), uma mais surpreendente do que a outra: a má consolidação de uma cultura de humanidades, por via do «hepta», e de uma mais precária ainda, a sabedoria associada à matemática, pelo ângulo do «prisma». O resultado, mais do que a fúria, era o do desapontamento, se calhar mais incómodo. Enfim, para seguir caminho vai recorrer a uma mnemónica, com a preciosa ajuda de um instrumento infalível, a tabuada, e que é esta:
hepta x 1 = 7
hepta x 2 = 14
hepta x 3 = 21
...


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16 setembro 2009

A primeira letra

Conseguir fazer (desenhar) a primeira letra. A descoberta e o prazer de ver o resultado, mesmo que imperfeito. O empenho e a seriedade de quem o faz.
Na vida de cada um, alguns momentos serão marcantes. Desses, a construção da primeira letra será um deles e ocupará, estou certo, um lugar de destaque, mesmo que na altura não consigamos apreender ou valorizar o seu impacto. Se dúvidas houver, corram-se as escolas por esse país fora e olhe-se para os alunos que iniciam o seu percurso escolar, nesses primeiros dias desse primeiro ano de todas as possibilidades, e aprecie-se o seu rosto nesse momento primordial, o da construção da primeira letra, da «sua» primeira letra.

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08 março 2009

Magalhães

As condições e a disponibilização do computador Magalhães sempre me pareceram uma boa ideia. Apesar das habilidades e das histórias à sua volta, continuo a aceitar a bondade da ideia. O que já me parece escusado é o facilitismo, para não lhe chamar outra coisa, que se verificou acerca da «linguagem» utilizada nos programas mais lúdicos. Mas que raio de linguagem é aquela e como é que se deixa passar uma coisa daquelas?...

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28 fevereiro 2009

E-learning

Interessante, a experiência na plataforma de e-learning. Tacteante, ao princípio, com um natural e compreensível receio (até pela novidade), mais afoito, no fim, depois de ultrapassada essa fase de ambientação. Pode ser um caminho que se abre e, possivelmente, se generalizará. Há que continuar a explorá-lo, limadas que sejam algumas tendências mais dispersivas.
Levado a sério, comporta trabalho e empenho. Exige disciplina e método, uma vez que se trata de um processo educativo. Mas as potencialidades são grandes, parece-me.

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04 dezembro 2008

Alguém sabe?...

Para acabar com as dúvidas acerca dos números, que é usual verificar-se numa greve, a adesão dos professores à greve de ontem foi muito significativa, pois até o Governo teve que o reconhecer.
E agora, o que é que se faz?... Alguém sabe?...

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09 novembro 2008

Quem ganha?

A manifestação de ontem dos professores deve ter significado o toque de finados da equipa do Ministério da Educação. Mesmo que se aguentem até ao final da legislatura, o que é previsível, não sei como irão lidar com uma (mais do que certa) «rebelião» de uma maioria muito significativa de professores. As coisas devem ter-se extremado a um ponto tal, que já não deve haver margem para recuos ou para negociações: a vitória de uns é a derrota dos outros.

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27 novembro 2007

Última aula

Há dias, li no Público, um professor catedrático de Direito, em Coimbra, «deu» a sua última aula. «Deu», é como quem diz. Na verdade, «deram» a aula por ele, consequência de uma bizarra e, pelos vistos, antiga, tradição de «impedir» os catedráticos de Direito de leccionarem a «sua» última aula. Tradição é tradição e, na faculdade de Direito de Coimbra, a tradição é para se cumprir, mesmo que contrariado(s).
Há vários casos de professores que se devotaram ao ensino, de corpo e alma. Quem estudou, qualquer que tenha sido o nível de ensino, decerto encontrará e recordará exemplos desta entrega à profissão que escolheram. Eu encontrei e recordo alguns dos meus. E uma das coisas que recordo, sem dificuldade, era, precisamente, o prazer de dar aulas - mesmo que fosse a última. «Não poder» dar a última aula, por capricho e tradição que se mantém, parece-me castigo severo para estes professores. Diria mesmo, estúpido.
Questiono-me se, no ensino público, um professor, um «mestre» que tenha atingido o limite de idade deva passar à reforma, sem mais. Não sei se o podem fazer, mas não me incomoda nada que, estando capazes e querendo, pudessem lá continuar... a dar aulas, porque não?

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07 outubro 2007

Legis(ladas)

Já me tinha interrogado o que é que seria feito do homem. Finalmente, António Barreto voltou às páginas do Público. E voltou bem, felizmente! Numa altura - mais uma? - em que se volta a falar sobre Educação e os seus benefícios, Barreto traz-nos ao conhecimento uma «pérola» legislativa de um dos responsáveis pela tutela da Educação. Tratando-se de uma transcrição, o «toque» de António Barreto verifica-se na recomendação de leitura «em voz alta» e no parágrafo final, a rematar.
Como sou um rapaz bem mandado, li mesmo em voz alta e, depois da incredulidade inicial, não pude deixar de me rir às gargalhadas à medida que o «exercício» prosseguia. Só visto e lido.

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18 setembro 2007

Ensino do Português

Em Maio deste ano realizou-se uma Conferência Internacional sobre o Ensino do Português (CIEP). Fiquei a saber, por alguma imprensa de hoje, que as recomendações do comissário da conferência, Carlos Reis, já eram conhecidas. Das recomendações, que estão disponíveis no site do Ministério da Educação, transcrevo os seguintes excertos, que subscrevo de olhos fechados e com aplauso:
A propósito do português como língua de conhecimento: «importa sensibilizar e mesmo responsabilizar todos os professores, sem excepção e seja qual for a sua área disciplinar, no sentido de cultivarem uma relação com a língua que seja norteada pelo rigor e pela exigência de correcção linguística, em todo o momento e em qualquer circunstância do processo de ensino e de aprendizagem. (...)».
A propósito da identidade do professor de português: «(...) Não se fala aqui de um qualquer professor, mas sim (e com respeito por todos os outros) daquele cujo magistério condiciona decisivamente toda a relação do aluno com os saberes que vai adquirindo. E assim, recomenda-se vivamente que o professor de português consuma menos tempo com as chamadas ciências da educação e mais tempo com a sua cultura literária e linguística; que se preocupe menos com as técnicas pedagógicas e bem mais com o conhecimento da língua e do seu potencial expressivo com outras linguagens, incluindo as da imagem; que tenha critério para destrinçar os usos sofisticados da língua dos seus usos triviais e meramente utilitários; que seja culto, exigente e claro na denúncia do erro (...)»

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24 julho 2007

Calculadoras

Está a começar mais uma polémica, não sei se grande, se pequena, a propósito da introdução das máquinas de calcular no ensino básico. Como não sei os termos em que isso vai ocorrer, terei que aguardar o desenvolvimento. Por melhores que sejam as intenções, contudo, há que precaver o uso e abuso da «maquineta», sob pena de males irremediáveis. E há mecanismos de aprendizagem, memorização e agilidade mental e conceptual- queiram ou não os «entendidos» - que não se compadecem com as «facilidades» proporcionadas pela utilização da calculadora.
Não «cai» bem, o «papaguear» da tabuada? «Fundem-se» alguns neurónios, pelo facto de os alunos terem que aprender a fazer contas de papel e lápis, de todos os tipos e maneiras, conferindo com provas dos nove e outros mecanismos de certificação mais ou menos treinados, treinados e treinados?... Estaremos, mais uma vez, a «descobrir» a pólvora?...

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29 junho 2007

Chumbo

Vai ser engraçado, seguir o desenvolvimento mediático do «chumbo» de Saldanha Sanches nas provas de agregação para catedrático. Ai vai, vai... Os comentários que ele fez a membros do júri auguram um processo animado.

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24 junho 2007

Escola

Fala-se na possibilidade de as crianças começarem a escola aos 5 anos. Parece-me uma coisa boa. Para elas, sobretudo. Quanto mais cedo contactarem com a escola melhor. Os benefícios, que são muitos, são incomparavelmente superiores a alguns prejuízos, se os houver. Quem tem filhos que faça a comparação entre o nível de desenvolvimento, intelectual e emocional, que eles tinham quando foram para a escola e o que os seus filhos têm, fruto de um contacto mais precoce com a realidade escolar e social. Mesmo que o tempo e as circunstâncias sejam diferentes, e muito, neste aspecto, indubitavelmente, as novas gerações estão muito melhor preparadas do que as dos seus pais.

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03 junho 2007

Exames

Em época de exames, é tradicional a divulgação de «receitas» para a obtenção de êxito. Nenhuma destas esquece o ensinamento principal: os exames preparam-se ao longo de todo o ano lectivo, incorporados num processo de estudo que exige, como seus atributos, o método, a disciplina e o trabalho. Postos em prática por alguns - infelizmente, poucos -, há que reconhecer que eles não são muito praticados pela maioria. E os resultados comprovam-no. Também aqui, os milagres não abundam e não há «almoços grátis».

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01 junho 2007

Aprendizagem

A crónica de Vasco Pulido Valente, no Público de ontem, até faz doer a alma, tal é o retrato que traça - suspeito que fatalmente verdadeiro - sobre a aprendizagem dos jovens. É um cenário que não augura nada de bom, para quem já cá está e para quem há-de vir. A quem é que se pede contas?...

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25 abril 2007

TLEBS, again

Não é só a Universidade Independente que contribui para os enredos típicos de telenovela. Também a TLEBS faz pela vida nessa matéria, como demonstra o mais recente artigo de Vasco Graça-Moura no Diário de Notícias de hoje. Já era de prever. A ideia peregrina de manter a TLEBS no Secundário, entre outras, estava mesmo a pedir um comentário de Graça-Moura. E, como o homem não se costuma ficar pela rama, acredito que a polémica tem pernas para andar e continuar. Devem estar a chegar mais «munições» e «petardos» de outra «rapaziada» que tem «varejado» a TLEBS.

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20 abril 2007

TLEBS

Já tinha «saudades» dela e da polémica que arrasta. Anteontem, uma portaria publicada no Diário da República suspendeu a sua aplicação no ensino básico. Pelos vistos, nem tudo é mau e, parece, ainda reina algum bom-senso neste país, mesmo que a custo. Esta notícia, e o arrepiar caminho, são bons indícios. A saga da TLEBS continua. E a polémica, também.

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19 abril 2007

Conferência de imprensa

O que espanta, na confusão que dá pelo nome de Universidade Independente, é a sucessão de factos absurdos, anedóticos e incompreensíveis que se têm vindo a verificar. A conferência de imprensa de ontem foi mais mais um exemplo. Era hoje, era amanhã, tinha/não tinha revelações bombásticas, era/não era sobre o caso Sócrates, sim/mas/talvez, tem (?) credibilidade e projecto (?) pedagógico.
E a equipa reitoral, meu Deus, onde é que vão arranjar estes «cromos»?! «Mãe Santíssima»!

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13 abril 2007

Professores e alunos

Não sei quais as causas ou quem é responsável pelas situações de violência de que são vítimas os professores. As minhas afinidades, familiares e pessoais, com pessoas que têm essa profissão levam-me a rejeitar esse estado de coisas, achando necessário que algo tem que ser feito e rapidamente. Não chega andar a invocar a «paixão», a «grande preocupação» ou a «opção estratégica» e passar ao lado deste fenómeno.
Talvez um primeiro passo tenha sido dado no Conselho de Ministros de ontem, que aprovou alterações ao Estatuto do Aluno do Ensino Básico e Secundário, e que podem ir de encontro ou representar uma tentativa - que se deseja séria - de lidar com o problema.
Já agora, fiquei com curiosidade em saber que alterações e que tipo de implicações é que isso irá comportar. Vou esperar pela publicação no Diário da República.

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07 abril 2007

Prognóstico

«Prognósticos, só no fim do jogo», é uma frase popularizada por um conhecido jogador de futebol (João Pinto). É o que me apetece fazer em relação à decisão que Mariano Gago vai ter que tomar sobre a Universidade Independente. Qualquer que ela seja, o homem vai ter que se haver, calculo, com a necessidade de a explicar muito bem, por via das dúvidas. Pode parecer apenas uma questão de natureza burocrático-administrativa, mas não o é. E toda a gente sabe isso. Nesta fase, já ultrapassámos esse estádio. Não queria estar na sua pele.

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01 abril 2007

Universidades privadas

Na imprensa escrita e na comunicação social está na moda a chamada «declaração de interesses». Com a «declaração de interesses», o jornalista, comentador ou analista procuram salvaguardar a genuinidade e comprometimento dos respectivos depoimentos, comentários ou avaliações. Tudo em nome da transparência, não necessariamente da isenção, note-se. Em todo o caso, um princípio saudável e recomendável. Os leitores e ou ouvintes que tirem as suas conclusões. Se quiserem. Não tiram, na maioria das vezes...
Também vou fazer uma declaração de interesses relativa ao meu agrado e preferência perante o que escrevem, dizem ou pensam alguns comentadores conhecidos, como é o caso de António Barreto, e que é esta: em 99,99% dos casos, concordo, subscrevo e publicito as opiniões e ou comentários de António Barreto. No 00,1% restantes, provavelmente não li, ouvi ou percebi bem o conteúdo ou a mensagem...
No registo escrito, gosto muito do estilo de António Barreto: claro, conciso e linear. Com frases simples e directas, assentes numa lógica discursiva, encadeada, em que a frase anterior serve de premissa à seguinte, no fundo, a lógica do silogismo.
No registo oral, as mesmas características, complementadas pela força da imagem: voz, raciocínio vivo e ágil, o exemplo típico e mais interiorizado sobre a figura e a forma de estar dos chamados «intelectuais», «à la anos 60-70»: cabeleira farta, barba e pose descontraída, convicção e sentido de serviço público.
Hoje, no Público, o habitual texto de António Barreto é dedicado à situação do ensino superior privado em Portugal. Como sempre, o estilo é inconfundível. O efeito nos leitores, o esperado. Hoje um tema, na semana seguinte outro, numa cadência impiedosa para as boas ou más consciências, mostrando, apontando, analisando, concluindo sobre o estado das instituições, do povo e do país. E, nalguns casos, a realidade é uma realidade fria e contundente, sem lugar para desculpas, actos de contrição ou boas intenções. O que lá está é o que lá está. Não há lugar para fantasias. E o texto de hoje é um desses. A sensação que fica é amarga. Incómoda. Mas real. E em que ninguém tem autoridade moral para «atirar a primeira pedra».
Apesar de hoje ser «1 de Abril», o «Dia das Mentiras», não me parece que estejamos no domínio da brincadeira...

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