04 julho 2010

Também pagam

Não sei se o aparecimento dos jornais gratuitos seria já (ou não) uma antevisão dos tempos de crise. Aparentemente, toda a gente ficava contente: os leitores, entusiastas ou não, a quem colocavam na mão um jornal maneirinho, supostamente adequado e adaptado às exigências e à mobilidade nas grandes cidades; as empresas editoras, porque permitia recolher e canalizar receitas publicitárias; e os anunciantes, arrebatados pelas tiragens e pelo previsível número de destinatários para os seus produtos, que se desejava rapidamente fossem contabilizados como consumidores.
Aliás, em relação aos diários gratuitos, houve uma época em que os ardinas modernos quase se atropelavam para entregar o seu jornal aos passeantes, pedestres ou motorizados, à guisa de um campeonato, com marcação estratégica de ruas ou pontos de passagem, algumas vezes pontuadas com acções de campanha promocional, nomeadamente com o recurso a bandeiras, estandartes, amostras, etc., que contribuíam para dar um colorido próprio às manhãs e às idas para o trabalho.
Mas isso terá sido no bom tempo, coisa que não se verifica agora. Como muitas coisas nos tempos recentes, não sei se a maioria das pessoas pensaria que isto seria para continuar e manter. Goradas que começam a ser as expectativas, pelos menos das editoras e dos anunciantes, a crua realidade, a das «vacas magras», começa a traçar o seu caminho e, neste cenário, também os gratuitos pagam, é claro.

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20 dezembro 2009

Coqueluche

O jornal i continua a surpreender-me muito agradavelmente. Um exemplo, foi a edição de ontem. A ideia de transformar o verso das páginas centrais em papel de embrulho alusivo à época de Natal é uma ideia muito conseguida, seja original ou não, representando um sinal muito interessante e significativo do «sinal dos tempos» e de uma atitude ambiental louvável. Palmas também para o «renascer» do género 'Reportagem' e da ideia da revista Nós dedicada à escrita e aos escritores, conhecidos ou não. A continuar assim, sem esquecer o espaço online, o i afirma-se, cada vez mais, como uma coqueluche da imprensa portuguesa.

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08 maio 2009

«i» agora?...

Saiu hoje um novo jornal, o «i». Gostei do formato, do grafismo e de algumas das propostas. Vamos ver o que dá, mas estou céptico.
Tiro-lhes o chapéu, contudo, pela aposta: editar um novo jornal (diário, ainda por cima!), nos tempos que correm... é obra! Mais não seja por isso, merecem apoio e incentivo. Será que se aguentam?...

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22 outubro 2007

Notícias

Muita gente não gosta do Sol. Eu gosto.
Muita gente detesta o José António Saraiva. Eu não: reconheço-lhe valor e convicções.
Goste-se ou não do jornal e do seu director, nas últimas semanas quem tem marcado a agenda mediática foi ele. O debate que se tem feito nos últimos tempos teve por base material publicado nas suas páginas: escutas do caso Portucale e as entrevistas de Catalina Pestana e do Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro.
Sorte de principiante, talvez. Mas mérito na aposta e opções, também.

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18 outubro 2007

Sem nexexidade

O Público e a Bola vão editar, em parceria, um semanário gratuito. O ser gratuito já não constitui novidade, mas a parceria penso que sim. É mais um produto no mercado - pelos vistos, apetecível - dos gratuitos e mais uma machadada nos jornais pagos. Tenho acompanhado a campanha publicitária nas páginas do Público e só posso dizer que é rasca, socorrendo-se do humor com toques de brejeirice e de marialvismo, passando nitidamente a mensagem de que se procurou o mais fácil. Até apetece dizer, meus caros e maus publicitários: «Não havia nexexidade».

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12 setembro 2007

Global Notícias

As primeiras impressões são estas: não gostei do novo gratuito, o Global Notícias. No 1.º número, muito espalhafato gráfico, destaque excessivo à publicidade, notícias a puxarem para o sensacionalista. Estava à espera de melhor. As primeiras impressões foram estas. Muitas vezes, são as que ficam.
Qual virá a ser o impacto nos jornais pagos do grupo?...

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04 julho 2007

Sol

A minha relação com o semanário Sol é uma relação ambivalente: fico muitas vezes desconsolado quando o compro e arrependo-me quando o não compro.
Quando não o compro tento compensar com a leitura na internet, mas não dá - a edição impressa ou é lida na mão ou não pega.
Quando o compro, devo talvez gastar cerca de uma hora na sua leitura. É pouco? É muito? Costuma ser suficiente. Continua a agradar-me a paginação, que facilita a leitura. Como leitor, privilegio o caderno principal e o de economia. Quanto à revista, muitas das páginas não me interessam ou tenho por elas um interesse enfastiado. O roteiro dá jeito, mas também não lhe presto muita atenção.
Há quem faça questão em não dar «um cêntimo» para o jornal do «arquitecto». Eu, que até acho piada ao «arquitecto», já várias vezes lhe «dei» dois euros e provavelmente continuarei a dar. Até quando, não sei.
Talvez o projecto do Sol seja algo megalómano e delirante - à semelhança do seu mentor, dirão os críticos do «arquitecto»... Talvez seja. Talvez seja a isso que ache piada e gozo, contribuindo também para esse cenário «megalómano» e «delirante». Se calhar...

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29 junho 2007

Dúvida

Dúvida existencial: compro ou não compro o Sol?
Eu bem queria continuar a ajudar o arquitecto, mas... Não sei quem é mais maluco...

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Meia Hora

Já há uns dias que apareceu um novo jornal gratuito, o Meia Hora. Objectivo: combater no terreno do Público e do Diário de Notícias. Ah, valente! Parece uma febre, esta dos jornais gratuitos. Qualquer dia, é preciso um saco. Qualquer dia também, esta proliferação deve dar o «real estoiro». Até lá, não está fácil a vida para os jornais pagos.

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19 abril 2007

Revista

Só hoje tive oportunidade de ler a revista Pública de domingo passado. Deitei-a fora! Só com este gesto me dei conta, de forma inequívoca, do meu afastamento em relação ao modelo e, sobretudo, ao conteúdo: contam-se, pelos dedos de uma mão, as páginas que se «podem» ler. Tudo o resto será para leitores que não eu. Reconheço que a vida não está fácil para os jornais pagos, mas tem que se ver até onde se pode ir para garantir e angariar público. Será que vale tudo, ou, melhor dizendo, nada?...

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22 março 2007

Habilitações

O Público fez bem em investigar e publicar o resultado da sua investigação sobre as habilitações académicas do primeiro-ministro. Se havia ou há dúvidas sobre o tema, se se especula ou insinua, então o jornal fez o que deve fazer um jornal que se quer credível, isento e independente, mesmo que venha a abrir uma «caixa de Pândora». É a sua função.

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02 março 2007

Impresso vs. online

Há dias, li uma coisa escrita pelo Pacheco Pereira, no Público, sobre o futuro dos jornais. Uma das coisas que me chamou a atenção foi a comparação que ele fazia entre o jornal impresso e o jornal online. Segundo ele, a grande mais-valia do jornal online é a da possibilidade do estabelecimento de links, possibilidade essa não transponível para o jornal impresso. E isto é algo que vai desequilibrar os pratos da balança a favor do jornal online, a curto ou a médio prazo, façam os jornais impressos o que fizerem.
Está na moda, a reformulação gráfica na imprensa escrita. Depois do Público, foi a vez da Visão. Nestes processos, já se sabe, há sempre quem goste e quem não goste. Não vale a pena perder grande tempo com isto. Mesmo quem não goste, ao fim de algum tempo acaba por habituar-se.

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18 fevereiro 2007

Jornais de referência

Não está fácil a vida para os jornais de referência. Sujeitos a uma pressão constante, tentam sobreviver como podem. Em Portugal, vários factores contribuem para a situação que se verifica: o nível da literacia, a crise económica e a concorrência de outros meios, gratuitos e não gratuitos, são alguns deles.
Dois desses jornais, o Diário de Notícias e o Público, foram notícia nos últimos dias, consequência directa dessa situação de crise. Mais do que um traço os liga, para além da característica de jornais de referência. Em relação ao alinhamento e ao tratamento da actualidade, ambos podem ser considerados como típicos da forma de estar e de ser de jornais "de Lisboa", por oposição aos que reflectem uma visão mais à moda "do Porto", como é o caso, por exemplo, do Jornal de Notícias. Se quisesse sintetizar, estabeleceria o seguinte quadro: predomínio da opinião, da análise, do urbano e do cosmopolita nos jornais "de Lisboa"; relevo à notícia de proximidade, da visão regional, do predomínio do sensível e da exploração do sentimento, nos "do Porto". Desde que leio jornais que é esta a minha sensação e experiência.
Ambos são propriedade de empresários com uma imagem de sucesso, ainda que construída fora do mundo dos jornais. E isto não me parece que seja apenas um pormenor sem importância. Bem pelo contrário.
Cada vez mais, os jornais são olhados pelos seus proprietários como negócios, sujeitos a regras específicas, é certo, mas encarados pela lógica implacável do lucro ou do prejuízo. Pode esta lógica ser mais ou menos disfarçada, ou, inclusive, diferida no tempo, mas é ela que, efectivamente, traça o destino ou define o rumo actual da imprensa escrita e de toda a comunicação social. E é isto, em suma, que deve procurar-se nas mais recentes transformações ocorridas no DN, a demissão da sua equipa dirigente, e, no Público, a alteração gráfica do modelo.
Sobre estas alterações, sobressai uma certeza e uma dúvida: é uma incógnita a sua eficácia e, provavelmente, anteciparão o "canto do cisne" da imprensa escrita de referência.

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21 janeiro 2007

Jornal Desportivo

Apanho-o no caminho, apesar de alguma inconstância na distribuição. Falo do Diário Desportivo, um gratuito que se começou a publicar há 15 dias. O slogan de lançamento não deixava de ser curioso e insinuante para os potenciais leitores. Se não me falha a memória, era assim: «É diário. É desportivo. É gratuito». Os habituais leitores de jornais desportivos eram o seu público-alvo, bem como outros que pudessem deixar-se sugestionar e interessar pela facilidade do "gratuito". Fazendo parte destes últimos, uma vez que já há muito tempo não compro jornais desportivos, lá fui pegando nele e deitando o olho pelas notícias e rubricas. Apesar de gostar de desporto, afastei-me completamente da leitura dos desportivos, chamem-se eles Bola, Record ou Jogo, porque me fartei da matéria e do alinhamento noticiosos e, também, porque os generalistas passaram a cobrir esta temática duma forma que, para mim, me era mais agradável, sem os exageros ou as irrelevâncias de quem tem que preencher o espaço durante sete dias por semana.
Apesar desta minha relutância, não tenho desgostado do novo diário. Se se aguenta, não sei. Pode ser que, à semelhança de outros gratuitos, possa ter êxito.

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11 janeiro 2007

Imprensas

Para mim, começa a ser um clássico a leitura dos cronistas do DN, à quarta-feira: Pedro Rolo Duarte, Vasco Graça Moura e Vicente Jorge Silva. Lá fui mais uma vez, mesmo antes da deita.
A propósito de cronistas, não pude deixar de sorrir com uma crónica de Miguel Carvalho, na Visão Online, intitulada "Movimento dos Sem-Carta". Apesar de não cumprir todos os requisitos, constatei que, na maioria deles, estava habilitado a ser membro, activo e militante, deste "movimento".
"Clube de Imprensa", da autoria de Teresa de Sousa, é um dos programas da RTP 2 que aprendi a gostar e a respeitar. Hoje, o tema era dedicado à imprensa escrita, contando com a participação de responsáveis pela imprensa escrita gratuita. O debate foi interessante e sem preconceitos.
«MI5 envia alerta de riscos de terrorismo por e-mail», Jornal de Notícias, 10-01-2007.

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03 janeiro 2007

Título

«Robots em Marte estão mais velhos e mais inteligentes».
DN, 03-01-2007

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29 dezembro 2006

Diário desportivo

Já estava a estranhar, mas aí está a notícia: a partir de Janeiro, começa a publicar-se o primeiro diário desportivo gratuito. Não me custa a acreditar que pode ser um sucesso, à semelhança dos outros diários gratuitos. Parece-me ser uma tendência inexorável. Os riscos para os jornais pagos são cada vez maiores, emparedados por esta tendência e pelas edições on-line.

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22 dezembro 2006

Título

«Sete monges rivais lutam em mosteiro».
JN, 22-12-2006

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19 dezembro 2006

Título

«Vaticano FC quer estar entre os maiores do futebol mundial».
Público, 19-12-2006

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30 novembro 2006

O saco

Começou com o Expresso, apanhou outros jornais e continua no Sol: o saco.
Agora até nos gratuitos, como pude verificar hoje, no Metro: um saco em papel preto, elegante, de marca de roupa conhecida. Quem é que não acreditava na atractividade publicitária dos jornais gratuitos? Pelos vistos...
Lá vim eu, todo contente, com o meu jornalinho e o meu saquinho. A marca agradece.

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