19 fevereiro 2022

Argument(iu)

Em plena passadeira para peões, situada na confluência de três ruas, dois carros parados, um táxi e um ligeiro, quase encostados nas frentes, com os condutores dentro das viaturas, ao volante, à semelhança de dois cães que se avaliam e começam a rosnar e a querer mostrar os dentes... À volta, o público a esfregar as mãos para a possibilidade de espectáculo extra e de borla!... Um empreendedor (há-os sempre!...) começa a publicitar o mercado de apostas: «10 para o taxista, 2 para o cidadão anónimo!»... Também o argumentista, desolado pela falta de um terceiro elemento, essencial para um clássico «impasse mexicano», desesperava pelo aparecimento do elemento que faltava para a constituição do trio do impasse, onde é que estava o profissionalismo!...

 


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22 março 2013

Causa e efeito

Naquela praça de táxis, os lugares de estacionamento disponíveis estavam dispostos de forma seguida. Ao contrário das com a distribuição paralela dos estacionamentos, a ocupação dos estacionamentos livres nas seguidas costuma ser feita de forma curiosa: sempre que um sai com passageiros os outros movem-se da sua posição de estacionamento e ocupam o espaço seguinte, empurrando o respectivo carro à custa da força de braços e alardeando alguma habilidade de contorcionista no momento em que têm que aceder ao travão e parar o veículo. Este é o padrão habitual. O que não foi habitual foi quando, naquele fatídico dia, o último a iniciar esse movimento, tantas vezes praticado, teve uma cãibra...


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24 novembro 2011

Greve geral

Em dia de greve geral, o que mais me chamou a atenção, num breve passeio pelas ruas e avenidas, tradicionalmente animadas pelo barulho e o bulício do trânsito, era a sensação de quase silêncio, quietude, diria, na deslocação do tráfego. De tão pouco audível, embora visível aos olhos, parecia quase irreal.

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27 maio 2008

Admitamos

Hoje de manhã, dei-me a olhar para o trânsito: pareceu-me em menor número. Provavelmente, a fazer fé nas reportagens nas televisões e nos media, o aumento dos combustíveis está mesmo a dar cabo da utilização do transporte individual, embora sejam maioritárias as situações de ocupação de veículos com o condutor apenas (as em maior número) e outros, substancialmente menos, com dois ocupantes. As ditas reportagens, curiosamente, nunca mostram alguém que esteja disposto, de bom-grado, a abdicar do transporte individual em favor de um transporte colectivo ou, sendo individual, partilhado com outros utilizadores. E a razão, ou as razões, são sempre as mesmas: «o meu (dele ou dela) trabalho e a minha deslocação de e para ele estão dependentes do transporte individual»; «a malha de transportes públicos não é boa ou está mal dimensionada»; etc. Admitamos que sim, que foi pontaria das TV «só» encontrarem condutores que não podem abdicar do «seu» transporte individual, dada a «especificidade» do seu trabalho e da situação «especial» da localização da sua casa ou trabalho e, para compor o ramalhete, da insuficiente resposta do transporte colectivo. Admitamos que sim. Lá no fundo, penso eu, os condutores esperam que a situação melhore, com (de preferência) ou sem ajuda do Governo. Admitamos que sim. Agora (exercício meramente académico...), admitamos que a «coisa» piora. Admitamos...

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20 janeiro 2008

GPS

É curiosa a ligação que as pessoas costumam ter com o seu carro. Para uso profissional ou particular, o carro é um símbolo das sociedades modernas. O acesso à sua aquisição e à sua propriedade democratizaram-se (se comparado com o tempo dos nossos pais, por exemplo), sendo um bem mais ou menos generalizado. A princípio, na aquisição do carro dava-se primazia à robustez e à durabilidade: o carro tinha que aguentar as estradas e os caminhos que havia, devendo estar em condições por muitos e bons anos. Mais tarde, correspondendo à melhoria do nível de vida e, sobretudo, à evolução das expectativas, o carro foi acompanhando os novos tempos: mais facilidade, mais comodidade, mais prazer. Rapidamente se saltou das cores metalizadas e das jantes desportivas para a direcção assistida, o ar condicionado, o leitor de música e o GPS, a última moda nos entusiastas dos automóveis. Pelo menos foi essa a ideia com que fiquei no Natal passado. O GPS, está visto, é o último dos gadgets para a rapaziada que gosta de andar agarrada ao volante, verdadeiro sinal do status que a posse ou a condução do carrinho sempre dá. Hoje é o GPS, amanhã será outro utensílio qualquer. As viagens «épicas», aquelas em que apenas se sabia vagamente qual era a rua, o quarteirão, o bairro, mas sem nenhuma certeza para além da carrada de dúvidas (qual era o cruzamento, a esquina, o edifício que ficava à esquerda e, mais ou menos a 300 metros, junto da casa com as cores amarelas..., os enganos, as perguntas aos transeuntes ou aos taxistas) acabaram. Agora, não custa nada: marcam-se as coordenadas ou dão-se instruções vocais e o «aparelhómetro» lá nos conduz pelo carreirinho, rua a rua, bairro a bairro, de IC para IP, passando pela A número 'x', para gáudio e euforia dos condutores. É o progresso, meus amigos! Mas, que gaita(!), para ir comprar o jornal era mesmo preciso dar a volta à terra e arredores?!...

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22 outubro 2007

Guiadelas

Terminou o campeonato da Fórmula 1. Em condições normais, não gastaria os neurónios para escrever ou falar sobre os resultados ou as performances das equipas e dos pilotos. Até por uma razão: quero lá saber!
A época foi cheia de casos e «casinhos». Pelos vistos, ganhou o candidato que tinha menos hipóteses. Parafraseando e adaptando uma frase célebre: «Guiou-se direito por linhas tortas». Ainda bem.

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19 agosto 2007

Circulação

Em matéria de velocidade dos automóveis, o radar é o «bicho-papão». Na cidade, são só «cordeirinhos» e parece uma procissão. Na estrada, falamos de «lobos» e de corridas de galgos. É uma outra «visão» de um país e dos seus indígenas.

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30 novembro 2006

Só com uma mão

Muitos condutores conduzem com uma mão no volante e outra na maçaneta das mudanças. Não sei se é tique, se gesto de conforto, mas um hábito generalizado, como pude comprovar hoje de manhã, numa contagem e experimentação despreocupadas. Talvez dê estilo, não sei. É um hábito verdadeiramente transversal, afectando novos e velhos condutores, homens e mulheres aceleras ou previdentes, donos e donas de máquinas com muitos ou poucos cavalos. Será que é pela sensação de domínio, só com uma mão, da viatura, da estrada e da perícia? Ou, supostamente, dos pequenos Fangio ou Schumacher que habitam em nós? Se calhar, quem sabe?

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19 novembro 2006

Mortos na estrada

Até hoje, não sabia que se comemorava o 'Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada'. Apercebi-me disso de uma forma inesperada, ao ser confrontado com um cartaz com que me deparei na rua. Mais do que a imagem, o texto deixou-me boquiaberto. Dizia isto: "Mais de 70 mil portugueses perderam a vida na estrada". O número, e aquilo que ele simboliza, atinge uma dimensão e uma brutalidade inimagináveis. Trata-se de um número assustador! Absurdo, pelo impacto; trágico, pelas conseqências.

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24 setembro 2006

Conduções

Meio da tarde de um dia de sábado. Nas vias internas e circundantes da cidade avolumam-se os carros, despejando gente nas rotas do abastecimento nos hipermercados ou dos passeios rodoviários de fim de semana, com destino ou sem ele. Em qualquer das situações, a velocidade e o risco campeiam. A estrada transforma-se numa via para afirmação da personalidade, muita ou pouca, efémera e ilusória na maior parte das vezes. Há algo estranho, profundamente psicótico, na forma como uma grande parte de nós se comporta na estrada, onde a máxima "eu e o meu carro" faz e dita a lei: manobras perigosas, velocidade excessiva, nenhuma tolerância, uma generalizada insconsciência do perigo e de respeito pelos outros, dentro ou fora do carro. Eu sou eu e o meu carro, juntos e ao vivo. O resto que se lixe!
Alguma coisa de errado se passará connosco, a ver pela forma como conduzimos. Será sina?... Será feitio?... Sina não é certamente e o feitio não tem que bater assim. Boa viagem.

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21 setembro 2006

Caótico

Chega a ser até irónico. Em plena "Semana Europeia da Mobilidade" (16 a 22 de Setembro), Lisboa não se mexe, nem para norte, nem para sul, este ou oeste. Nem para a frente, nem para trás ou para os lados, nada se mexe no trânsito de Lisboa. Uma combinação simultânea e explosiva de políticas de transportes coxas e absurdas, chuva torrencial, greve no Metro, início do ano escolar e um exponencial aumento do número de carros dá nisto: um caótico e parado fluxo de trânsito! A bem da mobilidade.

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18 abril 2006

Pópós

Ligo muito pouco aos carros. É uma conversa que não me interessa. Talvez por isso, goste de andar de pé. Ou de transportes públicos. Nas grandes cidades, é claramente a melhor solução. Excepto aqui, parece-me, vendo o número crescente de viaturas em circulação.
Aguardando-se já um previsível aumento da gasolina - que, estou certo, não irá ficar por aqui - os portugueses retomaram a sua vidinha, após um período de férias, mais ou menos prolongado, com cheiro a perfumes exóticos ou temperaturas assim para o fresquinho. Entretanto, começaram as aulas. E isso já se nota nas estradas, onde se intensifica a visão de condutores sózinhos. Contentes, apesar de tudo. Desde que o carrinho ande...
É tão bom conduzir um "pópo´"!

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