27 maio 2008

Admitamos

Hoje de manhã, dei-me a olhar para o trânsito: pareceu-me em menor número. Provavelmente, a fazer fé nas reportagens nas televisões e nos media, o aumento dos combustíveis está mesmo a dar cabo da utilização do transporte individual, embora sejam maioritárias as situações de ocupação de veículos com o condutor apenas (as em maior número) e outros, substancialmente menos, com dois ocupantes. As ditas reportagens, curiosamente, nunca mostram alguém que esteja disposto, de bom-grado, a abdicar do transporte individual em favor de um transporte colectivo ou, sendo individual, partilhado com outros utilizadores. E a razão, ou as razões, são sempre as mesmas: «o meu (dele ou dela) trabalho e a minha deslocação de e para ele estão dependentes do transporte individual»; «a malha de transportes públicos não é boa ou está mal dimensionada»; etc. Admitamos que sim, que foi pontaria das TV «só» encontrarem condutores que não podem abdicar do «seu» transporte individual, dada a «especificidade» do seu trabalho e da situação «especial» da localização da sua casa ou trabalho e, para compor o ramalhete, da insuficiente resposta do transporte colectivo. Admitamos que sim. Lá no fundo, penso eu, os condutores esperam que a situação melhore, com (de preferência) ou sem ajuda do Governo. Admitamos que sim. Agora (exercício meramente académico...), admitamos que a «coisa» piora. Admitamos...

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