GPS
É curiosa a ligação que as pessoas costumam ter com o seu carro. Para uso profissional ou particular, o carro é um símbolo das sociedades modernas. O acesso à sua aquisição e à sua propriedade democratizaram-se (se comparado com o tempo dos nossos pais, por exemplo), sendo um bem mais ou menos generalizado.
A princípio, na aquisição do carro dava-se primazia à robustez e à durabilidade: o carro tinha que aguentar as estradas e os caminhos que havia, devendo estar em condições por muitos e bons anos.
Mais tarde, correspondendo à melhoria do nível de vida e, sobretudo, à evolução das expectativas, o carro foi acompanhando os novos tempos: mais facilidade, mais comodidade, mais prazer.
Rapidamente se saltou das cores metalizadas e das jantes desportivas para a direcção assistida, o ar condicionado, o leitor de música e o GPS, a última moda nos entusiastas dos automóveis. Pelo menos foi essa a ideia com que fiquei no Natal passado.
O GPS, está visto, é o último dos gadgets para a rapaziada que gosta de andar agarrada ao volante, verdadeiro sinal do status que a posse ou a condução do carrinho sempre dá. Hoje é o GPS, amanhã será outro utensílio qualquer.
As viagens «épicas», aquelas em que apenas se sabia vagamente qual era a rua, o quarteirão, o bairro, mas sem nenhuma certeza para além da carrada de dúvidas (qual era o cruzamento, a esquina, o edifício que ficava à esquerda e, mais ou menos a 300 metros, junto da casa com as cores amarelas..., os enganos, as perguntas aos transeuntes ou aos taxistas) acabaram. Agora, não custa nada: marcam-se as coordenadas ou dão-se instruções vocais e o «aparelhómetro» lá nos conduz pelo carreirinho, rua a rua, bairro a bairro, de IC para IP, passando pela A número 'x', para gáudio e euforia dos condutores.
É o progresso, meus amigos! Mas, que gaita(!), para ir comprar o jornal era mesmo preciso dar a volta à terra e arredores?!...
Etiquetas: Carros, Face(stories)
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