11 fevereiro 2026

Marty Supreme

Depois de ver, saltou-me a palavra «fura-vidas» e um dos seus significados (admitindo que há mais, literais ou não): «pessoa empreendedora e activa que não olha a meios para conseguir o que quer» (Infopedia). Parece-me uma boa síntese para a história do filme, com mais uma notável interpretação do protagonista, Timothée Chalamet, profunda e intrinsecamente característica da espécie humana, queira-se ou não, subscreva-se ou não, com o ténis de mesa, o «pingue-pongue», a servir de palco para cadência da proximidade ou afastamento do que o o filme revela, umas vezes a bem, outras a mal, deixando no espectador a dúvida sobre a resposta ao dilema: e se fosse comigo?...

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07 janeiro 2026

O Agente Secreto

Uma forma particular de contar a história (próxima ou distante) do país e das suas gentes: ritmo, segredo, fantasia, humor, sexo, paixão, solidariedade, coisas a resolver ou talvez não, ingredientes que fazem um quotidiano, melhor ou pior, real ou imaginado. 

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31 dezembro 2025

Na Terra dos Nossos Irmãos

Resultado de situações complexas associadas a conflitos, fenómenos económicos, ambientais, sociais, culturais, são várias as as razões que podem dar origem à deslocação de pessoas da sua «terra natal» para uma «outra região», à partida considerada mais segura, mais hospitaleira, mais atractiva. 

Neste filme, repartido por três histórias, abarcando um período de 20 anos, reflecte-se sobre a saga da população afegã que procurou refúgio/acolhimento no vizinho Irão, «na terra dos nossos irmãos», ficando ao cuidado de quem o visiona, sobretudo aos confortados por um distanciamento geográfico protector, reagir ou não ao que ele revela ou representa.


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17 dezembro 2025

Onde aterrar

Pelo menos em Português, um título curioso e cheio de potencialidades, conduzindo a conclusões diversas, umas mais entusiasmantes do que outras, dependendo da perspectiva de quem as formula. No essencial, uma abordagem temática aparentemente simples, mas cheia de nuances, algumas delas irónicas ou do domínio do absurdo, carregadas de um simbolismo que faz reflectir sobre qual é, no fundo, o que está subjacente ao desejo ou a vontade de perpetuar o legado individual, qualquer que ele seja, recorrendo ao diálogo como manifestação privilegiada de expressão. 


 


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06 dezembro 2025

Um Herói

Visto na tv, um filme iraniano que surpreende pela história, personagens e pelas questões que coloca e de que se alimenta, mais um que se centra nas pequenas-grandes histórias de um quotidiano e numa realidade sócio-política complexas, evidenciadas nas imagens, nos diálogos e nos cruzamentos e implicações das interacções sociais, em que se podem encontrar «heróis», em maior ou menor grau de pureza, protagonistas de sagas que primam pela procura de uma solução ou de um caminho, ficcionado ou tortuoso que seja, mas sempre a procura de uma «luz ao fundo do túnel», se é que ela é possível ou desejável. 


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05 dezembro 2025

Foi só um acidente

Imagine-se num país a tentar, melhor ou pior, fazer pela vida, num quotidiano mais ou menos comum a tantos outros, nas suas diversas dimensões: culturais, sociais, afectivas. Admitindo as diferenças locais, pronunciadas ou ténues, não parece difícil estar de acordo com esta descrição e cenário generalista. À medida que nos aproximamos desse quotidiano, contudo, algo começa a destacar-se: no início, de forma difusa, acentuando-se à medida que o filme se desenrola, provocando e interpelando quem vê, inclusive com recurso ao humor, fazendo um caminho que se adivinha como expectável ou talvez não, pois começamos a aproximarmo-nos de patamares da vida e da alma humanas onde os grandes dilemas éticos se colocam, queira-se ou não, goste-se ou não, esteja-se preparado ou não. E aí chegados, como fazemos...? 


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26 abril 2025

Vermiglio

Localização geográfica, modelo económico, opção sócio-cultural moldam e caracterizam a atitude e a forma de estar no e para o mundo em que essa realidade geográfico-cultural se inscreve e as relações e/ou reacções com outras realidades. Da interacção de realidades diferentes ou como tal assumidas, o resultado pode ir da expectativa à rejeição, pelo meio um eventual compromisso de assimilação, ainda que mínimo, cabendo às comunidades em que se isso ocorre testar e/ou aplicar o remédio que preconizam para esse encontro. Todo este intróito para introduzir a referência à experiência do filme e o lastro que ele deixa, não se sabendo se grande ou pequeno, mas mesmo assim susceptível de abanar algumas convicções ou pôr em causa muito do que se visionou ou apreendeu.


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21 abril 2025

On falling

«Em queda», «sobre a queda», refere a protagonista numa entrevista na rádio sobre o filme e a possibilidade de tradução do título para a língua portuguesa. Poderia dizer-se, em alternativa, que é uma espécie de «24 horas na vida de um trabalhador de um grande armazém segundo os padrões da economia e consumo actuais, o e-commerce», maioritariamente on-line. Mostrar a realidade de quem faz estes trabalhos: duração, intensidade, isolamento, alienação, mal remunerado, em que o dinheiro não chega ao fim do mês para pagar as contas, feito por imigrantes, maioritariamente, sem espaço e/ou motivação para uma vida fora do trabalho, sem amigos, com recurso, quase obsessivo ao telemóvel, correndo riscos de saúde, física e mental, um mundo de horrores e absurdos, em contraste com os benefícios para os donos e os consumidores (também um alerta para estes, que não se apercebem do impacto de estar do lado de quem encomenda recorrendo a um clique!...). Um murro, também, ao ouvir-se a música final, What will we do when we have no money?, do grupo irlandês Lankun...

«Em queda», «sobre a queda» funciona como um aviso ou como alerta, colocando o dedo na ferida para além da semântica do «cair em» ou do «cair porquê», com ou sem música...

 


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24 fevereiro 2025

Ainda Estou Aqui

Muitas vezes, a ida ao cinema era (é) uma forma de desopilar, afastar ou desanuviar um quadro envolvente cinzento, chato ou difícil de suportar. No cinema, também, várias filmes e histórias se contaram (contam) , contrapondo tempos bons e tempos maus (execráveis, alguns), cenários agradáveis, familiares, protegidos e outros no seu oposto (muito no seu oposto), confrontando-nos com a situação de impotência quando algo se altera, de forma abrupta, de um dia para o outro, de uma realidade confortável para uma outra inimaginável... Por estas e outras razões, Ainda Estou Aqui é humanamente um filme duro de presenciar, fomentador de um desconforto visível e perceptível no corpo e na mente dos espectadores, tal o que descreve e aquilo com que nos confronta. Imperdível!

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17 fevereiro 2025

O Brutalista

Surpreendendo pelo título, duração e pelo temática, um filme que pode ser visto sob diversas perspectivas, umas mais fáceis de identificar do que outras, com uma história potente, reveladora e multifacetada, e uma interpretação extraordinário do protagonista Adrien Brody, mas não só. Muitos dos temas sobre que se debruça ou alude o filme mantêm-se activos, e não por boas razões, infelizmente, levando-nos a interrogar o porquê da sua permanência ou actividade actuais. 



 


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10 fevereiro 2025

A Complete Unknown

Alguma coisa o nome 'Bob Dylan' há-de ter, sozinho ou acoplado a algo, para mexer com as pessoas e as interacções que provoca... Respostas para isto haverá muitas, suponho, mas o cerne da interrogação continua a ser o mesmo: quem é e o que pretende (se é que o faz ou assume) Dylan...? Não se conhecendo a resposta a esta questão, estou convencido, talvez um bom começo ou tentativa seja ver A Complete Unknown «Um Completo Desconhecido» (uma pérola de título!) e talvez se possa ficar com uma ideia... «Um Completo Desconhecido»...? Why not...?

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27 janeiro 2025

O Meu Bolo Favorito

Cheguei a este filme através de recomendação de pessoa amiga. Começo por aqui, por este episódio, aparentemente banal e, talvez, cada vez mais invulgar, nos dias que correm, de alguém nos sugerir a visualização de um filme, da leitura de um livro, de deslocação a um determinado local. Parece fraco consolo, mas se calhar não o é.

Centrado na realidade e sociedade iranianas, um filme e uma história à volta do quotidiano de pessoas com idades à volta dos 70 anos, das suas dificuldades, constrangimentos, ambições e sonhos (que os há e ainda bem!), situações que facilmente podemos reencontrar em outras paragens do mundo, mais distantes ou perto de nós, num processo incessante de combate e ultrapassagem de lugares e preconceitos comuns, numa homenagem à vida e às nuances de como ela pode afirmar-se, umas vezes de forma reivindicativa, outras de forma subtil ou carinhosa, expressa de forma a provocar o sentimento, o riso ou a lágrima. E esta é também uma das características do cinema.


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18 dezembro 2024

A vida entre nós

Um homem e uma mulher, antigos namorados, reencontram-se anos depois, tendo cada um seguido a sua vida e caminho com outras pessoas. Uma história comum e corrente, dir-se-á. De facto é, aparentemente, mas paradoxalmente diferente e sempre única pelo impacto, real ou sobrestimado, que estas situações costumam deixar nos corpos, na memória e nos afectos dos envolvidos, incluindo próximos que com eles interagem ou interagiram. E é na sequência do reencontro que o balanço desse momento do passado urge ser feito, começando-se devagar, com risos e subtileza, mas num crescendo mal contido de expressão emocional implacável, nas suas facetas diversas, e percorrendo, passo a passo, a cartografia e o desfecho, esperado ou desejado, não se sabendo se redentor ou, no menos, apaziguador. Uma história comum e corrente...? Talvez, sim, e daí...? Uma agradável surpresa.

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03 outubro 2024

Elis & Tom, Só Tinha de Ser com Você

Elis & Tom, Só tinha de ser com você é um filme-documentário centrado nos bastidores e na produção de um álbum dos dois artistas, em 1974, que ganhou um estatuto próprio, quer pelos motivos associados à sua realização, quer pela personalidade e talento dos protagonistas: Elis Regina e Tom Jobim. Para além das letras e das músicas, uma amostra do contacto e interacção entre os dois ao longo do processo criativo, com nuances e episódios para todos os gostos, luminosos uns, obscuros outros, mas tudo isso, se calhar, resultado da dinâmica da própria vida...

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25 setembro 2024

Querido diário

Até ao visionamento na televisão, muito da história e das imagens do filme estavam esquecidas ou, pelo menos, escondidas ou adormecidas na minha memória. Para além da imagem, icónica, do realizador na sua lambreta, uma vespa, de capacete e óculos de sol, veículo e artefactos simbólicos de uma certa maneira de estar e ver/viver a vida, pelo menos no país de origem de Moretti, a Itália, este esquecimento não deixava de ser irónico, pois, se não me falha a memória, tratava-se do primeiro filme que terei visto de um realizador de que gosto e com cujos filmes fui mantendo contacto ao longo do tempo. Foi agradável o reencontro, após estes anos. Até para descobrir ou intuir afinidades na abordagem e no desenvolvimento do filme com um outro protagonista, Woody Allen, se bem que com olhar e posicionamento diferentes, um a investir mais no neurótico, Allen, e outro a situar-se no domínio do reflexivo e luminoso. 

Dividido em três partes: uma com laivos de road movie, «Na minha vespa», outra como passeio ou reflexão sobre a cultura, a arte, televisão, quotidiano italianos à época (o filme é de 1993, penso), «As Ilhas», e uma terceira parte com a descrição do seu périplo pelos médicos, nome que titula a secção, na sequência da identificação de um problema de saúde do realizador, quase em tom cómico e surrealista. Do fim do visionamento, embora agradável, também uma sensação nostálgica.

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08 julho 2024

Mataram o Pianista

They Shot the Piano Player, «Mataram o Pianista», na versão portuguesa, de Fernando Trueba e de Javier Mariscal, foi descoberto num dos canais de cinema da televisão, um filme de animação e uma ilustração da época de aparecimento da Bossa Nova e do contexto sociopolítico da América Latina, centrado no protagonismo de um jovem pianista brasileiro, Tenório Júnior, e do seu desaparecimento na Argentina em circunstâncias dramáticas. Para ver, reflectir e também ouvir...

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28 fevereiro 2024

Os Excluídos

Mesmo que se tenha uma memória própria acerca do que representa o período do Natal, na maior parte dos casos essa recordação é boa. Imagine, porém, que para algumas pessoas, por razões diversas, essa memória e/ou experiência se torna num tormento, real ou imaginado. Como reagiria...?

Intitulado «Os Excluídos», na versão portuguesa, tradução de Holdover, no original, com um título como este, por mais esforço que se faça, difícil é não ficarmos alerta ou, no mínimo, atentos ao que se vai visionar. O título remete para uma realidade e um significado fortes, terreno perigoso e difícil, sujeito a explorações nem sempre lineares, para não dizer enviesadas. Uma realidade que se caracteriza como «de exclusão» é, por si, alerta suficientemente importante para nos colocar de sobreaviso. No filme, curiosamente, o cenário em que isso ocorre é o de um colégio americano privado, o que não deixa de ser surpreendente, pelo contraste... Mas um apetecível interesse capta o nosso olhar, ainda que ligeiramente perverso, mais não seja pelo evoluir da relação entre os protagonistas, contraditoriamente distintos e juntos debaixo de um mesmo tecto e quotidiano.


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02 janeiro 2024

Viagem ao sol

Reproduzindo um facto real, o acolhimento temporário de crianças austríacas em Portugal, de 1947 a 1952, ao abrigo de um programa coordenado pela Cáritas, este filme, com características específicas, uma interpenetração de documentário e de filme, surpreende-nos e inquieta-nos, se calhar a um nível que se ignorava ou se previa, designadamente sobre a forma como ele se vivenciou e que contornos assumiu no nosso país, uns melhores (que queremos acreditar como predominantes) e outros menos abonatórios, mas também presentes. Um filme para ver, pensar e reflectir.


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26 outubro 2023

O sol do futuro

Este, é apresentado por Nanni Moretti. Um filme que se interroga e que nos interroga. Nos tempos que correm, não será pouca coisa. Vê-se com agrado e pisca-se o olho à História, aquela da letra maiúscula, mas também ao que se passa e nos confronta hoje, nas relações, nas opções culturais, nas convicções e na gestão do dia-a-dia, sempre presente, queira-se ou não. Para mim, sempre um filme, um realizador e uma experiência a contar. À minha escala, também uma espécie de futuro.

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24 outubro 2023

Golpe de Sorte

Uma primeira surpresa, mas apreciada, com a utilização da banda sonora, fora dos temas habituais do realizador, mas com um encaixe e uma onda que parece pontuar e conduzir o filme. Passa-se em Paris, sim, mas julgo que não é difícil projectá-lo para os cenários de Nova Iorque, tão do gosto de Allen, na mesma brincando e filosofando sobre os temas do acaso, da coincidência e da sua influência, real ou imaginada, na vida de todos nós, mais nuns do que noutros, é certo, mas sempre a espreitar e a tentar, ainda que não se queira ou não se saiba... Mais um do Woody, o 50º, quem diria?... Ficamos por aqui...? Veremos o que o acaso nos diz... ou trará...

https://youtu.be/otFVFLtRF_s?si=eQJh68N9TR4riZY0


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