Querido diário
Até ao visionamento na televisão, muito da história e das imagens do filme estavam esquecidas ou, pelo menos, escondidas ou adormecidas na minha memória. Para além da imagem, icónica, do realizador na sua lambreta, uma vespa, de capacete e óculos de sol, veículo e artefactos simbólicos de uma certa maneira de estar e ver/viver a vida, pelo menos no país de origem de Moretti, a Itália, este esquecimento não deixava de ser irónico, pois, se não me falha a memória, tratava-se do primeiro filme que terei visto de um realizador de que gosto e com cujos filmes fui mantendo contacto ao longo do tempo. Foi agradável o reencontro, após estes anos. Até para descobrir ou intuir afinidades na abordagem e no desenvolvimento do filme com um outro protagonista, Woody Allen, se bem que com olhar e posicionamento diferentes, um a investir mais no neurótico, Allen, e outro a situar-se no domínio do reflexivo e luminoso.
Dividido em três partes: uma com laivos de road movie, «Na minha vespa», outra como passeio ou reflexão sobre a cultura, a arte, televisão, quotidiano italianos à época (o filme é de 1993, penso), «As Ilhas», e uma terceira parte com a descrição do seu périplo pelos médicos, nome que titula a secção, na sequência da identificação de um problema de saúde do realizador, quase em tom cómico e surrealista. Do fim do visionamento, embora agradável, também uma sensação nostálgica.
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Etiquetas: Cinema
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