25 março 2026

Mário Zambujal

O cidadão Mário Joaquim Marvão Gordilho Zambujal faleceu há poucos dias. O Público, de 13 de Março, chamou a notícia à primeira página nos termos seguintes: «1936-2026. Morreu Mário Zambujal, jornalista, escritor, malandro e desalinhado». Está lá tudo: um nome, duas datas, um modo de ser.Vários serão os motivos para o recordarmos: os jornais, os programas na televisão, os livros. Quanto a estes, algumas características sobressaem na sua escrita: a clareza, as personagens (atenção ao nome, não esquecer!), alegria de viver e o sentido de humor, com pátina exclusiva, numa cadência e enredo picarescos que não é para todos, desengane-se quem se deixar iludir por outras avaliações... Vamos ter saudades de Mário Zambujal, não temos dúvida, indo a correr para os seus livros e as suas histórias, agora e sempre, sobretudo naqueles momentos em que ansiamos por uma gargalhada, uma ironia elegante e um malicioso devaneio (sempre respeitável, é certo), mas o suficiente para acentuar a graça ou o sorriso, contado por uma personagem cujo nome (curioso!...) se chamasse «Joaquim Marvão Gordilho»...


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20 março 2026

Sublinhado

A constatação de algo imprevisto, fora do habitual ou incomum, o que lhe quiserem chamar, põe algo em destaque ou classifica-o como digno de recordação. Neste caso, o facto é duplamente realçado: um leitor a ler um jornal em papel numa esplanada e a sublinhar determinada parte de texto ou artigo! É certo que continuam (mas cada vez mais a diminuir) a haver leitores de jornais em papel, mas encontrar alguém a sublinhá-los é que se nos afigura como extraordinário, deixando-nos a pensar o que teria motivado esse gesto, mas algo que impulsionou quem o fez, não custa reconhecê-lo, seja qual for o objectivo: memória futura, chamada de atenção ou cábula, transcrição ou citação num qualquer contexto. 

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18 março 2026

Buraco

A mulher avisara-o para ter atenção às calças. Não querendo seguir o conselho, encolheu os ombros e saiu para a rua. Entrou no carro, deu à chave e arrancou para o trajecto habitual. No estacionamento, meteu as mãos aos bolsos e procurou por moedas. Não as encontrou. Melhor dizendo, já as tivera no bolso, hábito antigo, mas tinham caído pelo buraco dos bolsos, era para isso que a mulher lhe chamara a atenção. Inconformado, despiu as calças e procurou, numa réstia de esperança, revirá-las e encontrar alguma moeda, perdida milagrosamente nas bainhas, quem sabia...? Debalde. Como um azar nunca vem só, apareceu a fiscal da empresa de estacionamento, que lhe perguntou pelo ticket. Não tinha, como se via, enquanto procurava justificar-se e vestir as calças. Mas continuava a não ter sorte, constatou logo a seguir, quando apareceu um polícia e lhe deu voz de prisão... por atentado ao pudor!...

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13 março 2026

Sou futebolista e trato a bola por tu. Este comportamento pode ser considerado desrespeitoso?

Não. Só no râguebi.

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11 março 2026

Livro(s)

 Coração mais que perfeito, de Sérgio Godinho.

As canções (músicas e letras) são conhecidas de toda gente, não tenhamos medo das palavras e/ou do exagero. E a ficção...? Aqui, piamos mais fino, também não tenhamos medo de a coisa se definir assim, porque a música já é outra e pode custar mais aos leitores do que o trá-lá-lá, mas o que é que queriam...? Pois é... a ficção!... A ver pelo exemplo acima, está bem e recomenda-se.

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09 março 2026

Coro

Hoje, na posse do novo Presidente da República, o maior hit vocal e instrumental foi o Hino Nacional, a uma ou a várias vozes, nem sempre afinadas.

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06 março 2026

Vis(ão)

_ Não viu, por aí, uma escrita à debandada...?

_ Há muito tempo...?

_ 10 minutos, mais ou menos...

_ A pé ou de mota...?

_ A pé, suponho...

_ Não.

_ De mota...?

_ Também não.

_ ?...

_ Só vejo o que me interessa... 

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