Chaço
Sendo-se conhecedor ou não de carros, aposto que qualquer um já terá emitido um juízo sobre o aspecto ou a robustez de uma viatura quando calha cruzar-se com ela, em andamento ou estacionada, mais frequente, afirmando o estigma: «Que chaço!...», habitualmente associado a um estado pouco recomendável ou lamentável, seja pelos vestígios de ferrugem, sujidade, falta ou deterioração de peças, estado generalizado de incúria, desleixo ou (quem sabe...?) ausência de meios necessários para lhe dar outro ar... Para que não se pense que vamos entrar numa conversa mais direccionada para oficinas e mecânicos, alerta-se que o protagonismo dado ao substantivo advém de mais uma epifania fonético-semântica, assente numa experiência concreta, essa mesma: de me ter cruzado com um «chaço» (mais «tchaço», na fonética das berças, que foi a que ficou gravada e lhe deu para aparecer...), num desentorpecer de pernas a meio da tarde.
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