14 setembro 2026

Breve En(saio)

Há quem goste de ficções breves e quem deteste, ou, no mínimo, franza o sobrolho, sobretudo se o texto assumir uma roupagem estranha, quer quanto ao conteúdo, quer quanto ao tamanho. Escrever que se leu um livro e gostou não é a mesma coisa do que afirmar, alto e bom som, que se é um entusiasta de palavras e/ou frases que, independentemente do tamanho ou arranjo gráfico, têm algo que as torna apelativas pelos motivos mais diversos, por exemplo pela «concisão, narratividade, totalidade, subtexto, ausência de descrição, retratos de pedaço de vida» leu-se algures, numa definição. 

Convenhamos, mas também admitindo o «não convenhamos», com pouco poderá dizer-se muito. Para alguns, será suficiente. Para outros, claramente que não. É uma opção. 

Para o escriba, a micro-ficção tem os seus encantos. De se ir praticando muito ou pouco, o vício mantém-se. 

Aplicando a técnica dos cinco porquês:

_ Não gosto de descrições.

_ Porquê?

_ Tornam-se enfadonhas.

_ Porquê?

_ São muito longas.

_ Porquê?

_  Desconcentram-me.

_ Porquê?

_ Assustam as micro/flash! 

_ Porquê?

_ São espantadiças!... 

 

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13 setembro 2026

Cartas amarelas

Um filme turco interessante, colocando questões cuja abrangência vai para para além da realidade sócio-política do país, facilmente podendo ser incorporadas noutras zonas e/ou latitudes (quem vir o filme que tire as suas conclusões) e que é esta: qual o impacto no quotidiano das famílias de decisões que são assumidas fora do seu círculo de protecção, mas que (ou talvez por isso) marcam, condicionam, desorganizam aquilo que se julgava mais ou menos consolidado, sólido ou perfeitamente dado como adquirido. E aqui (surpresa!) as novidades aparecem à luz do dia, com uma dinâmica de corrosão que se julgava inexistente, mas onde o questionamento de valores caros aos protagonistas começam a demonstrar a distância que os separa de momentos limite ou de tensão insuportável, colocados a cada um dos membros dessas famílias, com maior ou menor responsabilidade, é certo, mas todos eles com impacto profundo, devastador e fulminante. E a pergunta que se adivinha ou subentende mostra a sua verdadeira face: e agora, que fazer...? 

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07 setembro 2026

Não sendo bem a minha praia, estou a pensar abalançar-me no estilo e na temática comoventes. É pr'a andar?

Devagarinho, muito devagarinho, é o conselho... Também uns comprimidinhos para o enjoo, para aguentar o balanço... E não se esqueça do sextante!

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06 setembro 2026

Êxedra

Mais uma vez, fica-se a dever ao Priberam a descoberta de uma palavra que se desconhecia (são tantas!...) e o click para a escrita deste post, pela potencialidade do que ela revela na sua definição e, sobretudo, pelo fazer submergir de algo da memória profunda onde se encontrava: um determinado ritual das berças, com pedigree - passear na praça!

Comecemos pela apresentação e definição da palavra «Êxedra»: (Arquitectura) Átrio ou recinto circular destinado a discussões científicas, filosóficas ou outras.

Feita a apresentação, passemos ao ritual,  praticado por iniciados (ou nem por isso) na coreografia do circular por esse espaço, a praça, um verdadeiro palco para o exercício das «discussões científicas, filosóficas ou outras», sobretudo das «outras», quaisquer que elas fossem, não interessava, com mais ou menos seriedade, empenho ou conhecimento, mas um exercício que, durante bastante tempo, ficou marcado, se não na memória, pelo menos na sola dos sapatos ou botas... 

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04 setembro 2026

Albardice

_ Aqui chegados, a solução parece-nos óbvia e definitiva: albaldar o burro à vontade do dono!

_ Não aceito.

_ E porque não, pode saber-se...?

_ É de execução difícil, para não dizer impraticável...

_ Estranho... Não reconhece e valida a sapiência do que nela se indica...!? Olhe que a sabedoria popular tem muito que se lhe diga, um histórico confirmado, não concorda?

_  Neste caso, não... 

_ Explique lá?

_ Não tenho burro... 

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31 agosto 2026

Partindo do princípio de que as coisas estão como estão, é provável que continuem... Certo?

Provavelmente... Quase de certeza... Mais coisa, menos coisa...

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26 agosto 2026

Lapisei um escrito, mas fiquei com dúvidas. O que faço?

Experimente esferografar ou canetizar e veja como se sente. 

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