Breve En(saio)
Há quem goste de ficções breves e quem deteste, ou, no mínimo, franza o sobrolho, sobretudo se o texto assumir uma roupagem estranha, quer quanto ao conteúdo, quer quanto ao tamanho. Escrever que se leu um livro e gostou não é a mesma coisa do que afirmar, alto e bom som, que se é um entusiasta de palavras e/ou frases que, independentemente do tamanho ou arranjo gráfico, têm algo que as torna apelativas pelos motivos mais diversos, por exemplo pela «concisão, narratividade, totalidade, subtexto, ausência de descrição, retratos de pedaço de vida» leu-se algures, numa definição.
Convenhamos, mas também admitindo o «não convenhamos», com pouco poderá dizer-se muito. Para alguns, será suficiente. Para outros, claramente que não. É uma opção.
Para o escriba, a micro-ficção tem os seus encantos. De se ir praticando muito ou pouco, o vício mantém-se.
Aplicando a técnica dos cinco porquês:
_ Não gosto de descrições.
_ Porquê?
_ Tornam-se enfadonhas.
_ Porquê?
_ São muito longas.
_ Porquê?
_ Desconcentram-me.
_ Porquê?
_ Assustam as micro/flash!
_ Porquê?
_ São espantadiças!...
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