19 janeiro 2021

A carteira

Estou mais desafogada desde que o meu patrão me aliviou de vária quinquilharia imprestável: rifas, cautelas, extractos bancários, números de telefone, listas de compras, papéis avulsos e outras porcarias. Porcaria, sim, e das piores, pois as minhas preciosas bolsas não foram feitas para isto. Eu fui criada para albergar notas e cartões, não papelada avulsa e sem valor!... Mas tive azar, pois calhei com um teso e um crítico do capital.

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28 fevereiro 2009

3x9=27, noves fora nada

Dificilmente, vou alguma vez perceber os meandros e as especificidades dos negócios da banca. Admito a minha profunda ignorância sobre esse mundo e os motivos que os determinarão. Apesar disso, essa ignorância não me permite uma maior ingenuidade. Ainda estou de boca aberta ao conhecer os pormenores do negócio da Caixa Geral de Depósitos com um dos seus clientes, que detinha participações na CIMPOR. Ficamo-nos, apenas, pela surpresa e pela admissão de ignorância?!... Afinal, parece que sempre se confirma a velha máxima aplicada ao sistema bancário: se deves uma quantia pequena ao banco, tens um problema; se deves uma grande quantia, o problema já é do banco...

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18 setembro 2008

Noves fora, nada

É, no mínimo, uma sensação de espanto e incredulidade, aquela que o cidadão comum deve sentir ao ouvir falar sobre as recentes convulsões do mercado financeiro, sobretudo nos Estados Unidos. Num dia, um banco ou uma seguradora são dos maiores do mundo e, no outro, estão falidos. E, rigorosamente, é mesmo num dia a seguir ao outro! Ontem, tinham não sei quantos funcionários, dependências e poder e, hoje, têm funcionários na rua, uma mão à frente e outra atrás e pedem, caridosamente, que lhes dêem a mão. Bem generosa, por sinal... 
Não compreendo como, nem por que isto acontece. Avanço uma hipótese: a ganância, o lucrozinho sempre presente, mesmo que atropelando tudo e todos... Quem diria, não é verdade?

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22 outubro 2007

Amor de pai

Jardim Gonçalves pagou a dívida do seu filho ao BCP, rezam os sites noticiosos. Desta vez, o amor de pai é mesmo quantificável: 12 milhões de euros, dizem.
A partir de agora, cuidado pais! A fasquia foi colocada bem lá no cimo... Há rankings aonde não se chega...

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07 agosto 2007

Banco

Não percebo nem estou particularmente preocupado com os factos no Millenium BCP. No entanto, após o que aconteceu ontem, na assembleia-geral, permito-me dar uma gargalhada sonora e bem-disposta. Tão «finos», tão «elitistas», tão «profissionais», tão «cultos», tão «criativos», tão «visionários», tão «inovadores», tão... tão «portugueses»! A novela segue dentro de momentos.

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20 julho 2007

Alvíssaras

Somos um país de endividados até às orelhas, segundo indicadores diversificados e certificados. Mesmo assim, bancos e outras instituições de crédito, sobretudo da área do crédito ao consumo, tentam, pintam e abrilhantam os cenários do acesso ao dinheiro fácil, daquele que «só» obriga a um pequeno esforço, controlado e cientificamente testado, de viver e conviver com doses de «prestações suaves». Depois...
Nos jornais gratuitos, por exemplo, veículos privilegiados para o acesso a uma multidão de potenciais «interessados» neste «credo», já não há edição, que me lembre, que não ostente e evidencie «este» caminho para a «salvação». Para bem dos «crentes», está bem de ver.

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06 abril 2007

Transferências

Hoje, há uma notícia que é do agrado de milhares e milhares de portugueses: a da entrada em vigor da nova legislação sobre a transferência de créditos na habitação. «Hip, hip hurra!» - em direcção ao novo e alegre patamar para o endividamento!
Apesar destas boas notícias - que o são, indiscutivelmente - há que encará-las, contudo, com alguma apreensão: a banca não se vai ficar, provavelmente, e tratará de «inventar» algo. É previsível esperar que isso aconteça. É a sabedoria popular que nos ensina: «o pobre, quando a esmola é demasiada, desconfia da fartura»...

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10 março 2007

Euromilhões

As estatísticas dizem que somos o país, ou um dos países, em que mais se aposta no Euromilhões. Não quis defraudá-las e contribuí com a minha parte. Azar, não me saiu um «tusto»! Incorrecto: saiu, mas do bolso. As ilusões são efémeras. As que apontam para a riqueza fácil, então, são instantâneas.

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29 dezembro 2006

Empréstimos

A Banca deve estar pouco contente com as alterações que o Governo tem vindo a introduzir no universo dos empréstimos à habitação. Agora, foi a alteração e a imposição de taxas máximas para as amortizações e para as transferências de empréstimos. Do ponto de vista do consumidor, palmas para o Governo!

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09 dezembro 2006

Juros

Ainda ninguém me conseguiu explicar, de forma racional, porque é que as pessoas se endividam a vida toda para comprar uma casa. Feitas as contas, toda a vida útil é consumida a poupar para pagar ao banco o sonho e o desejo da casinha. «Não há mercado de arrendamento», dizem uns. «É um investimento», dizem outros. «É património para os filhos», respondem os defensores da família e da prole. Se é um investimento, quer-me parecer que não deve ser dos melhores: quando se chega ao fim - quando se chega - pagou-se três vezes o bem, no mínimo. Isto é: compra-se um T2 pelo preço de uma moradia! Trata-se, não há dúvida, de um excelente negócio!
Não contentes com uma, ainda há quem se meta noutra: já são dois T2 e «duas moradias»! A segunda tem uma grande vantagem: gasta-se pouco e não dá trabalho, só nos 15 ou 20 dias de férias. Nos outros, fica fechada por causa do pó e da canseira.
Raios partam os juros, que voltaram a subir outra vez!

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06 novembro 2006

Dava jeito

Devem ser muito poucos os que não se sentem desamparados - para não dizer coisa pior - quando se dirigem aos bancos para negociar empréstimos: spread para aqui, taxas de juro para ali e impostos a rematar, tudo servido numa linguagem muito pouco acessível e esotérica para a maioria. Os resultados são os que se adivinham: uma cabazada para o cliente! Que na maioria das vezes ainda agradece, até porque não percebeu a maioria do que lhe disseram ou fizeram.
Cada vez mais, as vantagens de alguma literacia financeira parecem-me óbvias, até porque o envolvimento com os bancos é cada vez maior: a casa, o carrito, as férias, etc, e a complexidade desse envolvimento também. Veja-se o caso recente dos arredondamentos dos juros e conclua-se, se sim ou não, este tipo de literacia não dava jeito, neste e noutros casos.

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16 outubro 2006

Orçamento

Todos os anos, por esta altura do ano, acontece o que é de lei: a entrega do Orçamento de Estado na Assembleia da República. É uma excitação e um corrupio! As tvs, os comentadores, os jornais e jornalistas, os políticos, as figuras gradas do regime e da pátria, os transeuntes e os especialistas são chamadas a emitir um parecer, um comentário, uma laracha ou um desabafo sobre o OE, a sigla mais popular e divulgada, suponho, nos próximos dias. Tudo isto para quê? Na maior parte das vezes, para nada. Desconfio que o "Zé", esse que se chama assim e todos os outros, fogem do OE como o "diabo da cruz!". Habitualmente, já conhecem de ciência certa o que lá vem: uma conversa e uns termos que desconhecem e poucos se mostram interessados em lhos descodificar - com excepções, obviamente - uns cenários que o desencantam e não animam e uma grande, imensa, resignação. Assim como assim, já que não percebem a maioria do que lhe dizem, olham com ar de espanto para os gráficos, percentagens, projecções, cenários, receitas, despesas, inflacção, PIDAC, PIB e siglas afins, o linguajar "economês" e o "financês". Fica o espanto com tanta ciência e o arregalar dos olhos pelos power point. Mas, lá no fundo, a pergunta que todos fazem é esta: quanto nos vai custar?

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19 setembro 2006

Regiões Autónomas

Nem queria acreditar! A leitura do artigo de Vital Moreira, no Público de hoje, deixou-me boquiaberto e sem cor. Intitulado "A irresponsabilidade financeira regional", o artigo revelou-me, numa linguagem transparente e cristalina, quais são as relações fiscais e orçamentais que se vivem e têm estabelecido entre o Continente e as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. Escrito sem recurso ao palavreado técnico e denso de fiscalistas ou economistas, o artigo é arrasador para o entendimento muito particular, feito pelas Administrações Regionais, do que deve ser a solidariedade nacional. Admitindo que o comentador não mente ou não exagera - e quero acreditar que não faz nem uma coisa nem outra - o que ele descreve revela uma situação e um estado de coisas verdadeiramente absurdo e, digo eu, profundamente injusto e quase ofensivo para outras regiões do País, sobretudo do Interior. Será que ninguém, iluminado ou não, se lembrará também da "necessidade" de solidariedade com elas?... No mínimo, não se compreende que raio de negócio, pacto, decisão ou política do Governo Central da República possibilita e mantém isto! Será que alguém me explica?

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12 maio 2006

Selos

A realidade é sempre mais rica que a imagem que dela fazemos. Veja-se o recente escândalo à volta da filatelia, que anima o panorama mediático de Espanha e Portugal. Fiquei espantado com a dimensão e a natureza do negócio e as implicações que se adivinham para os envolvidos! Quem diria que, à volta dos selos, podia correr tanto dinheiro! Santa ingenuidade a minha, está bem de ver! Promessas de rentabilidade que sejam, simultaneamente, elevadas, garantidas e honestas será que existem!?... Era bom, não era!?...

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