08 agosto 2011

Gianni e as mulheres

Talvez o que me tenha motivado a ver o filme «Gianni e as Mulheres» tivesse sido uma memória e um desejo de reencontro com uma certa tendência de filme italiano, se calhar abusivamente generalizada,  que estabelece uma relação próxima com a comédia e o humor. Se era esta a intenção à partida, não sei qual terá sido o resultado à chegada.
Sendo um título sugestivo, é com a pronúncia do original, Gianni e le donne, naquela musicalidade própria do italiano, que melhor se apreende o cerne da sua história, aquele universo relacional de Gianni, o protagonista, e as diversas mulheres que com ele se cruzam, umas mais próximas e/ou familiares e outras mais distantes e/ou inalcançáveis, cenário complexo de relações onde perpassam o compromisso e o desejo, o querer e o dever ser, originando tensões muitas vezes inconciliáveis, dificilmente compatíveis com muitos padrões de referência que pontuaram a criação e a formação vivencial de Gianni e dos seus companheiros e camaradas do género masculino. Para Gianni, o seu dia-a-dia está a milhas de distância do que vê ou julga que outros como ele fazem, apesar dos esforços do seu amigo e conselheiro, levando-o não poucas vezes a questionar a sua maneira de ser e de sentir, que considera cada vez mais desajustada em relação ao mundo com que lida e se defronta, sobretudo o de repensar o papel do «macho» maduro pelos anos e por uma existência (julgada ou considerada) anódina...

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