«Tchispado»
Pela manhã, um carro acelera pela avenida. Há pouco trânsito e o carro aproveita, embora exagere - estamos numa cidade e a avenida não é propriamente uma pista. Interrogo-me se isto seria necessário, este exibicionismo dos cavalos (muitos ou poucos, não sei) do carro ou da irresponsabilidade do condutor. Fosse da aceleração ou do receio no atravessar da estrada, o que é certo é que me ocorreu uma palavra alusiva à cena: «chispado!», ou «tchispado!», que é uma fonética mais conforme à proveniência geográfica, querendo com isto ilustrar a sensação de velocidade que presenciava no movimento do carro, tal e qual como se «lançasse» chispas. Pois é verdade, «chispado»!
Este ressurgimento de uma palavra e de um conceito que já não usava há muito tempo fez-me pensar se, mais do que um fenómeno com ressonâncias psicológicas, que remete para o domínio da memória, não teria passado antes por uma experiência de âmbito filosófico, mais propriamente da área da filosofia da linguagem ou da ontologia. Pelo menos, esta incerteza foi algo que me entreteve ao longo do resto da caminhada e que, pelos vistos, ainda perdura. Dizendo de outra forma: foi algo que, mais do que passando «tchispado», permanece e se mantém, à espera de uma oportunidade de resolução. Que pode ser lenta e demorada.
Este ressurgimento de uma palavra e de um conceito que já não usava há muito tempo fez-me pensar se, mais do que um fenómeno com ressonâncias psicológicas, que remete para o domínio da memória, não teria passado antes por uma experiência de âmbito filosófico, mais propriamente da área da filosofia da linguagem ou da ontologia. Pelo menos, esta incerteza foi algo que me entreteve ao longo do resto da caminhada e que, pelos vistos, ainda perdura. Dizendo de outra forma: foi algo que, mais do que passando «tchispado», permanece e se mantém, à espera de uma oportunidade de resolução. Que pode ser lenta e demorada.
Etiquetas: Filosofia
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