Este Filme Não É Para Nós?
«Desconfortável» é a palavra de que me recordo para caracterizar o visionamento do filme dos irmãos Coen, No Country For Old Men, «Este País Não É Para Velhos», na tradução portuguesa. E desconfortável porquê?
Uma das razões, penso, tem a ver com o que eu, enquanto cidadão amador de cinema, idealizarei, consciente ou inconscientemente, sobre o que é ou deveria ser «um filme com um Óscar de melhor filme». Ao contrário do especialista ou do crítico, o amador raramente se liberta de uma vaga e indefinível noção de «gostar ou não gostar de» ou do «percebi ou não percebi». E muitos dos equívocos decorrem daqui. Não sendo um filme de apreensão fácil e imediata - longe disso -,diria que «Este País Não É Para Velhos» é, passe o trocadilho, «Este Filme Não é Para Nós». «Nós», os amadores, está bem de ver. Mas também poderia ir mais longe neste «nós», parece-me, se quiser estabelecer um contraponto entre uma vivência e uma maneira de ser e estar muito americana, se comparada com a europeia - é indubitável que o filme respira e sustenta-se de um quadro de referências, de personagens e de uma mitologia mais tipica e genuinamente americanos, mesmo que estereotipados.
No Country For Old Men não é um filme de adesão fácil, como facilmente se conclui. Ajuda alguma coisa, contudo, se se tiver lido o livro que esteve na sua origem, com o mesmo nome, de Cormac McCarthy.
O livro - de que gostei bastante - deu-me pistas para melhor compreender o filme, enquadrando-o. Neste aspecto, as partes que contêm as reflexões do xerife Bell - Tommy Lee Jones, de novo, num grande papel - são absolutamente notáveis.
No Country For Old Men talvez seja um daqueles filmes que tem que se ver outra vez: para confirmar, para infirmar, para comparar, para elogiar ou para denegrir. É um filme de uma grande violência, de facto, mas isso não o enaltece ou desmerece por si só. Sobre ele, contudo, permanecerá sempre a questão, que é esta: «Este Filme Não É Para Nós»?...
Uma das razões, penso, tem a ver com o que eu, enquanto cidadão amador de cinema, idealizarei, consciente ou inconscientemente, sobre o que é ou deveria ser «um filme com um Óscar de melhor filme». Ao contrário do especialista ou do crítico, o amador raramente se liberta de uma vaga e indefinível noção de «gostar ou não gostar de» ou do «percebi ou não percebi». E muitos dos equívocos decorrem daqui. Não sendo um filme de apreensão fácil e imediata - longe disso -,diria que «Este País Não É Para Velhos» é, passe o trocadilho, «Este Filme Não é Para Nós». «Nós», os amadores, está bem de ver. Mas também poderia ir mais longe neste «nós», parece-me, se quiser estabelecer um contraponto entre uma vivência e uma maneira de ser e estar muito americana, se comparada com a europeia - é indubitável que o filme respira e sustenta-se de um quadro de referências, de personagens e de uma mitologia mais tipica e genuinamente americanos, mesmo que estereotipados.
No Country For Old Men não é um filme de adesão fácil, como facilmente se conclui. Ajuda alguma coisa, contudo, se se tiver lido o livro que esteve na sua origem, com o mesmo nome, de Cormac McCarthy.
O livro - de que gostei bastante - deu-me pistas para melhor compreender o filme, enquadrando-o. Neste aspecto, as partes que contêm as reflexões do xerife Bell - Tommy Lee Jones, de novo, num grande papel - são absolutamente notáveis.
No Country For Old Men talvez seja um daqueles filmes que tem que se ver outra vez: para confirmar, para infirmar, para comparar, para elogiar ou para denegrir. É um filme de uma grande violência, de facto, mas isso não o enaltece ou desmerece por si só. Sobre ele, contudo, permanecerá sempre a questão, que é esta: «Este Filme Não É Para Nós»?...
Etiquetas: Cinema
<< Home