Carolas
As reportagens da Liga dos Últimos são uma metáfora do país e da gente que somos. Apercebi-me disto no último programa que vi. A cena e o cenário são comuns nos campos de futebol da província, mais ou menos povoada. Correndo as coisas mal - e muitas vezes estão ou vão a correr mal -, é típica a reacção dos adeptos: a maioria desinteressa-se, uns tantos dizem mal e meia dúzia de entusiastas (ingénuos, quantas vezes!...) verbera os anteriores, indignando-se pelo que vêem e ouvem. É verdade que esta situação também se verifica nas grandes cidades e clubes, mas é na província que ela ganha mais acuidade e pertinência, mais não seja pelo menor número de oportunidades e de recursos à disposição. É nas aldeias e vilas do país, sobretudo nestas, que o fenómeno do desincentivo ou da perda de instituições, sejam elas desportivas ou não, assume contornos mais dramáticos e desmotivadores. E o clube de futebol é uma destas entidades, se não a única...
No futebol, diz-se, todos somos «bons» jogadores e/ou treinadores. O mesmo acontecerá - pensa-se e julga-se - no comentário e na avaliação dos políticos, dos intelectuais, dos empresários e dos trabalhadores. Somos um país e um povo bipolar, depressa passando do «oito ao oitenta». Quotidianamente, raramente escapamos ou estamos imunes à mesquinhez, à pequenina inveja e ao pormenor insignificante. Raramente privilegiamos o rasgo de génio ou de criatividade, o trabalho, o rigor e a perspectiva ou a visão de futuro.
Tal como nos jogos da Liga dos Últimos - e o próprio programa é disso um exemplo, sem dúvida - , há que valorizar, acarinhar e engrossar o número dos que vão aos jogos e «a jogo», dos «carolas» de tudo e mais alguma coisa. Se estes se forem ou acabarem, palpita-me, não iremos, apenas, ter saudades...
No futebol, diz-se, todos somos «bons» jogadores e/ou treinadores. O mesmo acontecerá - pensa-se e julga-se - no comentário e na avaliação dos políticos, dos intelectuais, dos empresários e dos trabalhadores. Somos um país e um povo bipolar, depressa passando do «oito ao oitenta». Quotidianamente, raramente escapamos ou estamos imunes à mesquinhez, à pequenina inveja e ao pormenor insignificante. Raramente privilegiamos o rasgo de génio ou de criatividade, o trabalho, o rigor e a perspectiva ou a visão de futuro.
Tal como nos jogos da Liga dos Últimos - e o próprio programa é disso um exemplo, sem dúvida - , há que valorizar, acarinhar e engrossar o número dos que vão aos jogos e «a jogo», dos «carolas» de tudo e mais alguma coisa. Se estes se forem ou acabarem, palpita-me, não iremos, apenas, ter saudades...
Etiquetas: Sociedade
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