Por que não um policial?...
Falemos, então, de livros. Em concreto, dos policiais. Desengane-se quem, à semelhança do estereótipo de neles o suspeito ser o mordomo, julgar que é um género menor, pouco consentâneo com os píncaros literários... Não só o mordomo nem sempre é suspeito como os policiais nem sempre são peças literárias ligeiras, como às vezes se propala, injusta e maldosamente, diria eu. Não e não às duas anteriores observações e um comentário mais aprofundado sobre o efeito perverso que a definição de um cânone (por definição, exclusor) muitas vezes lança, como um labéu, sobre géneros literários, livros e autores. Não que não se reconheçam os méritos e a necessidade de existência desse cânone, com os seus méritos, de certo, mas também, com certeza, com os seus defeitos, tal como está nos livros e não se trata de uma ironia... Não há que ter medo de assumir que há livros que nos fazem fruir livremente e sem preconceitos o seu conteúdo e as suas histórias, umas vezes mais bem escritas do que outras, sem dúvida, mas capazes de nos embalar e fazer transportar para realidades, mundos ou imaginários que nos enriquecem e não nos empobrecem, nada disso. Se esses livros pertencem ao género A, B, ou C cada um é que sabe e deve avaliar também, independentemente e para além do cânone. Muitos das estratégias de captação de leitores devem começar por aqui e dar a mão à palmatória de que às vezes podemos estar um bocadinho enganados... E isso aplica-se não só ao cânone e aos seus livros, como também aos géneros que dele costumam estar mais afastados, incluindo também, como é óbvio, os policiais... Pelo menos foi a opinião do mordomo... enquanto se preparava para ser de novo suspeito...
Etiquetas: Cultura
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