05 dezembro 2015

Ligeireza

Fartara-se de dar voltas à cabeça e não conseguia encontrar uma solução ou um caminho. Não chega a ser um problema invulgar, este que se caracterizou de forma brevíssima na primeira frase. Havendo cuidado com as voltas à cabeça, sobretudo por causa da torção do pescoço, situações como esta são comuns à maioria dos mortais, pois dos imortais não rezam estas histórias. Problema comum, portanto, com mais ou menos enredo ou episódios, uns mais rocambolescos do que outros, ou nem por isso. Simplesmente, às vezes as coisas não são assim tão simples, podendo dar lugar a problemas maiores (e esses, convenhamos, são os mais difíceis, até porque mais pesados), apesar das voltas e dos (mais do que certos), torções no pescoço...
Não deixa de ser curiosa uma reflexão destas, logo pela manhã (mas que também pode ocorrer ao final do dia), digna de figurar no rol dos disparates encartados ou das iluminações preclaras - bonito, hem?- e que passam a constar nos cardápios das melhores estantes ou da conversa de salão, com uma flûte de champanhe na mão ou um copo, tipo tulipa, de um vinho afiançado e aveludado, embora não se descarte do cenário um ambiente mais informal e descontraído, very tipical, por sinal, e dado à miscigenação cultural e fonética, como ocorre numa honestíssima tasca ou num boteco fora de horas.
Estava-se, pois, nestas ou noutras cogitações (supondo-se que as havia), quando entra pelo espaço adentro a grande amiga ligeireza, companheira de tantos de nós, mais próxima ou mais distante, mas sempre presente, mostrando-se como ela é e sabe como é, descarada e divertida, acenando a uns e a outros, sempre com um toque de encantamento e de fascínio, embora alguns (e algumas) não gostassem, pois não ficava bem e havia que se dar ao respeito... A todos, sem excepção de género, a ligeireza mandava passear, porque o tempo estava bom e havia que aproveitar, coisa que demoraria cerca de 5- 10 minutos, no máximo, pois tinha consciência de que cada um tinha o seu próprio ritmo e que não se podia forçar. Mas era suficiente.
Quanto aos problemas e à ausência de caminhos, não havia crise. Com um bocadinho de jeito e alguma paciência (pouca, note-se, pois convinha não abusar), as coisas acabavam por se resolver por si, naturalmente e sem muito esforço, coisa que, estava provado, era o principal responsável pelas torções do pescoço. E despedia-se como chegara.
Ficassem bem.
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