Pequenas mentiras entre amigos
Em algum momento, a maioria de nós já se terá colocado a pergunta: «O que é ou significa ser amigo?». Não sei a quantidade ou a diversidade de respostas que lhe estarão associadas, mas sei da importância que esta pergunta e respectiva resposta representam para a maioria dos humanos, que lhe dedicam uma atenção e uma preocupação muito significativas, muitas vezes superiores àquelas que se evidenciam à volta do conceito de «família», que com ele assiduamente se cruza e - quantas vezes! - com ele frequentemente se antagoniza.
Sendo coisa séria, nem por isso a «amizade» deixa de ser vista sob uma perspectiva «romântica», querendo com isto dizer-se que, muitas vezes, a apreensão e a vivência da amizade são assumidas e entendidas segundo um olhar e uma visão idealizados, afastados da realidade e tendencialmente branqueadores das falhas ou imperfeições, características imputadas ao «comum dos mortais», como os amigos também são... Nesta perspectiva romântica, por exemplo, a frase «os meus amigos mentem-me» é uma pura heresia, pois não é reconhecida a mínima consistência semântica à associação entre dois conceitos considerados contraditórios, o de «amigo» e o de «mentira», como, dos pontos de vista afectivo e emocional, reconhecer legitimidade a esse cenário significaria o ruir de toda uma grandiosa e elaborada «construção» que a espécie humana, na sua maioria, concebeu e tem sustentado, a da «amizade», e para qual eu e todos os outros também contribuímos e, estou certo, continuaremos a contribuir... Como no filme que vi, cujo título «Pequenas mentiras entre amigos», de produção francesa, enfatiza essa pequena/grande contradição, escalpelizando esta peculiar dimensão das relações e da vivência humana, tão imprescindível quanto almejada, porque fundamental.
Sendo coisa séria, nem por isso a «amizade» deixa de ser vista sob uma perspectiva «romântica», querendo com isto dizer-se que, muitas vezes, a apreensão e a vivência da amizade são assumidas e entendidas segundo um olhar e uma visão idealizados, afastados da realidade e tendencialmente branqueadores das falhas ou imperfeições, características imputadas ao «comum dos mortais», como os amigos também são... Nesta perspectiva romântica, por exemplo, a frase «os meus amigos mentem-me» é uma pura heresia, pois não é reconhecida a mínima consistência semântica à associação entre dois conceitos considerados contraditórios, o de «amigo» e o de «mentira», como, dos pontos de vista afectivo e emocional, reconhecer legitimidade a esse cenário significaria o ruir de toda uma grandiosa e elaborada «construção» que a espécie humana, na sua maioria, concebeu e tem sustentado, a da «amizade», e para qual eu e todos os outros também contribuímos e, estou certo, continuaremos a contribuir... Como no filme que vi, cujo título «Pequenas mentiras entre amigos», de produção francesa, enfatiza essa pequena/grande contradição, escalpelizando esta peculiar dimensão das relações e da vivência humana, tão imprescindível quanto almejada, porque fundamental.
Etiquetas: Cinema
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