28 março 2008

Uma questão de consciência

Quem vai ao cinema vai à espera ou à procura de algo. A ida pode ser originada por vários motivos, uns de coloração mais optimista, outros de feição mais pessimista. É nesta diversidade de motivos que reside muito do fascínio e do êxito do cinema, constituindo, para um conjunto heterogéneo de interessados, uma experiência artística e emocional privilegiada.
Desde o seu aparecimento, o cinema foi um dos palcos escolhidos para expressar e manifestar sonhos e ou desejos, substituindo-se (quantas vezes!) a outras formas de catarse ou de sublimação. Como exemplos, poderia invocar o desejo de Justiça ou o do triunfo do Bem sobre o Mal, dois dos temas que mais vezes foram tratados e (re)criados na tela, que correspondem a anseios fundamentais dos cidadãos, embora escamoteados e denegados, muitas das vezes. Havendo consciência deste estado de coisas, real ou imaginado, abre-se o caminho para a catarse do cinema, meio escolhido para proceder, de forma justa, equilibrada e necessária ao reestabelecimento do equilíbrio perdido, expurgado dos resquícios da injustiça - os «finais felizes» também se fazem e vivem disto.
Na busca da concretização da Justiça, ou daquilo que se convencionou como o «ser justo», há um género de filmes, com uma longa e sólida tradição na história do Cinema, maioritariamente protagonizados por advogados ou juízes, em que o tema, o enredo e o desenvolvimento da acção giram em torno desta experiência e deste conceito. É este o universo onde se move o filme Michael Clayton: uma questão de consciência.
No filme, o seu protagonista, George Clooney, é um personagem em busca de redenção, em busca de remir os seus «pecados», grandes ou pequenos, após um processo tortuoso de aprendizagem e transcendência, pessoal e vivencial.
Talvez pelas dissemelhanças, lembrei-me de um outro filme, «E Justiça para Todos», com Al Pacino no principal papel. Neste, como em Michael Clayton, o objectivo também é o de fazer triunfar a justiça. Podem os protagonistas, as motivações e os meios serem diferentes (e são-no, de facto), mas o objectivo é o mesmo: fazer justiça. E ambos o conseguem, mesmo que seja só no cinema. Daí o seu fascínio.

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