Em mão
O agente secreto não estava visível. Se estivesse, era mau. Como não estava, era bom. Para o que interessava neste caso, contudo, o ser bom (não estar visível) não era o mais aconselhável, mas o ser mau (estar visível), concluía o cidadão, com uma encomenda na mão, mandada pela mãe do agente secreto, que lhe recomendara, com a candura de mãe, que era para o filhote, que lha entregasse em mão, «a única!», enfatizou a progenitora. Mas como!?..., que não havia maneira se lhe ver a cara, a mão, o pé ou qualquer parte do corpo!... Aguardaria mais um pouco. Já estava escuro, quando o agente secreto deu sinal de si, plantando-se em frente ao mensageiro, trocarem palavras de passe e estendendo a mão, só então o transportante da encomenda teve uma espécie de epifania, e apreendeu, verdadeiramente, o que a mãe tinha querido dizer, com a especificação sobre a mão do seu filho: o agente secreto era maneta!
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