20 outubro 2022

O Padrinho

O Padrinho é um filme de culto. Sendo uma frase feita, não deixa de ser verdade. Visionado recentemente num canal televisivo, com as minhas desculpas por isso e um reconhecimento de que, de facto, a história, o desempenho dos actores, as cenas e a realização merecem, para não dizer exigem, um ecrã de cinema, não tenho dúvidas, é um filme que continua e vai continuar a interpelar-nos, obrigando-nos a olhar e atentar em pormenores que, de tão vistos ou mal apreendidos, remetem para uma realidade e uma dimensão que extravasam o chamado «filme sobre a Máfia» ou sobre gangsters. Por exemplo, a reflexão sobre o que é e como se vive a família, conceito amplo e multifacetado, convém não esquecer, e as suas implicações nos projectos que se constroem ou ambicionam com ela relacionados, um caminho sinuoso e árduo, quantas vezes, exigente e obrigando a sacrifícios, duros, sim, mas também questionáveis e implacáveis, numa luta permanente e sistemática, passo a passo, degrau a degrau, até se vislumbrar ou atingir o cume... E, nessa caminhada, o cruzamento com o poder ou os poderes, de diversa ordem, que se perfilam e se posicionam, levando a interrogações ou perplexidades... Em suma, um filme para se ver, rever e reflectir. E continuar a deslumbrar-se, por exemplo pela cena inicial, desta vez, filmada com pouca luz, sem muita definição dos contornos físicos das personagens, mas com uma voz a marcar o tom e a penumbra em que se movimentam, pontuando a história que se segue, contrapondo-se ao luminoso, aparentemente, que se irá mostrar a seguir...

 


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