09 novembro 2014

Marcar o ritmo

Singrar no meio artístico era difícil. O seu caso não era inédito, por isso. Mesmo assim, quis dar continuidade ao sonho e não esmoreceu. A sua maior dificuldade era a de não saber música. Em contrapartida tinha bom ouvido e usava os dedos como os bateristas utilizam as baquetas: a marcar e a acompanhar o ritmo. Mas só isso não chegava - precisava de uma banda! Pôs uns anúncios, mas não teve muita sorte: só lhe apareceram intérpretes com o conservatório e provas dadas em bandas e orquestras, mas nada de virtuosos como ele, sem conhecerem uma nota e com dificuldade em distinguir um violino dum saxofone. Estava prestes a desistir e eis que lhe aparece um artista igual a si, só que este tinha como especialidade o rilhar os dentes como castanholas. E o milagre aconteceu (e tem perdurado desde então), não na versão banda mas de dueto: os concertos não têm parado e já estão nas redes sociais!

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