27 maio 2007

Ingenuidade?

Num mundo ideal não seria assim. O preenchimento dos cargos seria feito por mérito e teria em conta a competência, sem grandes sobressaltos e com uma generalizada aceitação pública. Num mundo ideal. O que não é o caso.
A propósito do caso do professor da DREN, no Público de hoje fica-se com uma ideia de como se fará o preenchimento de cargos na Administração Pública, sobretudo ao nível local ou regional. Qualquer que seja o partido no Governo, suponho, na lógica do preenchimento há que contar com o envolvimento das estruturas locais ou regionais do partido, que sugerem, indicam ou «abençoam» a escolha que será, posteriormente, ratificada a nível central. Admito que haja excepções - dependerá do peso político do responsável pela tutela, penso - mas este deve ser o modelo geral. Em vez de uma preocupação genuína com o que é - ou deveria ser - o espírito do «sentido público», o que passa para a opinião pública é uma tendência despudorada e irresistível pelos cargos públicos, numa cadência e com procedimentos nada abonatórios para os respectivos protagonistas. Já suspeitava que assim fosse, embora me recusasse a aceitar este facto.
Reconheço que tenho e defendo algumas ideias ingénuas. Uma delas é acreditar que, na Administração Pública, os cargos poderiam ser ocupados por gente fora do circuito exclusivo das promiscuidades partidárias ou políticas, proximidades pessoais, regionais ou, até, clubísticas. Gostaria de continuar a acreditar nisto.

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