01 dezembro 2007

Greve

Mais do que saber quais é que estão certos, se os números dos sindicatos, se os do Governo, talvez o dado mais interessante fosse o de conhecer as razões de quem não fez greve. Muitas surpresas haveria, provavelmente para qualquer um dos lados.
Para mim, é evidente que os sindicatos têm perdido força, capacidade de mobilização e de influência junto dos funcionários da Administração Pública. E muitas das vezes da responsabilidade dos próprios sindicatos, que não têm podido (ou querido?) alterar a sua forma de intervenção e/ou apreensão do real. E o preço a pagar é (quantas vezes!) um progressivo e inquestionável afastamento entre a sua estrutura e os seus representados: muitos deles não se revêm no ser e no agir dos sindicatos do sector. Iludir este dado é uma mistificação.
Para o Governo, também, poderá ser fatal uma interpretação benigna dos resultados da adesão à greve, pela razão de que eles também poderão estar a escamotear uma realidade (oculta) de descontentamento, não traduzível nos números de uma greve - haverá que procurar outras razões. O descontentamento está lá, mesmo que não se converta em número ou percentagem de grevistas. Fie-se o Governo nos números apurados, iludindo esta insatisfação larvar, mas real, e, parece-me, ainda se arrisca a ter alguns amargos de boca.

Etiquetas: