Tabaco
Comprara o primeiro maço de adjectivos ainda jovem. Desde então, habituara-se a fumá-los com o café e em cima de um guardanapo ou papel solto. Não costumava fumar muitos, mas abria uma excepção para os períodos criativos, situações em que era capaz de fumar dois ou três maços, às vezes quatro. Nessas alturas pensava em deixar de fumá-los, mas recaía sempre, pelo menos até agora. Não fazia muita questão em relação à proveniência do adjectivo, mas gostava mais dos aromas rústico, espanhol, italiano e inglês. Dos franceses não gostava, pois faziam-no tossir. Comparava os adjectivos com a comida, usando uma tabela para os diferenciar: frugais, palpitantes e opulentos, qualquer uma das categorias condimentada a gosto, com sal e picante q.b. A fazer fé nas análises, era de prever que continuasse a fumar mais uns maços. Quando lhe começasse a tremer a mão, cantaria.
Etiquetas: Historieta
<< Home